Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
LIVRO - "The Beginning Place" [1980], by Ursula K. Le Guin

 

THE BEGINNING PLACE (1980)
Ursula K. Le Guin
 

Acerca deste livro creio que pouco vou escrever.

Irei antes escrever sobre o que ele me fez sentir e pensar, embora não saiba bem como iniciar.

 

Gostava de iniciar com o quantificador universal “todos”, mas não o irei usar porque é demasiado falso para valorizar a próxima reflexão.

 

Várias vezes sou remetido para uma torrente de memórias; memórias que me afastam do tempo presente e tapam o meu olhar contemporâneo sobre o mundo. Elas surgem na minha vida rotineira e fazem-me pensar sobre o que sou aqui e agora, o que fui e o que poderei vir a ser. Essas memórias não são do tempo presente, mas antes de um tempo remoto… distante. São flashes de momentos inocentes, infantis, belos, livres, felizes, também tristes mas sempre com um aroma e cor que caracterizou essa tristeza – tudo era belo e o mundo, pequeno para mim, era um universo a descobrir. Esses momentos, todo aquele tempo passado, foi vivido com uma intensidade que agora não é fácil de faze-la renascer. Essa intensidade parece que foi desmoronando-se à medida que o crescimento se impunha, e à medida que a vida se torna em função de algo que não é a vida. Deixamos de ser crianças e passamos a ser adultos (crianças, adultos, idosos, velhos – já pensaram em toda a carga etimológica que esta escala pode ter, e de como vivemos e pensamos a existência nesta escala? Terá isto tudo que ver com a nossa identidade? Não aquela identidade predicativa, mas a do Ser), passamos a pertencer a uma sociedade toda ela esquematizada e previamente mecanizada e que tem o preciosismo de afirmar “aqui és feliz”, quando, se repararmos bem, os “Srs. do Mundo” não têm mão nos acontecimentos atrozes que surgem no “seu mundo”; além disso, todos eles, os chamados de políticos, administradores e empresários e afins, modelos fundamentais para o funcionamento da máquina, são os corruptos, castigadores, punidores, organizadores de guerras e influenciadores – são eles próprios que turvam o mundo… e depois não têm mão nele. Tudo por causa de uma pitada de poder.

 

“Aqui és feliz! Neste mundo criado por Todos nós.”

Dou por mim a desejar regredir para o passado de cada vez que sou assolado por aquelas memórias que me fazem recordar um tempo sem política, sem cifrões e sem poder. É o tempo do início do rio…

O rio é a metáfora viva da vida pura; é a imagem de um tempo sem brevidade, cujo ritmo é conduzido pelo fluir sem pressa da água que “corre” num percurso que se vai moldando e transformando. Como posso regressar à nascente deste rio, se a minha fatalidade é seguir o seu caudal até à imensidão…? Creio que esse regresso esteja encerrado na arte de escapar à realidade na qual fomos “encaixados e moldados”. E escapar não é fácil porque a nossa vida está fortemente sistematizada pela rede que Todos nós ajudámos a tecer.

O regresso pode ser um acto solitário, ou mesmo um acto secreto, porque vai exigir a descoberta da nossa identidade (não a jurídica) e uma grande proximidade do Ser. Exige-se uma descoberta porque o Ser foi esquecido. O caminhar e o fluir abrupto como o rio, é o consequente distanciamento da nascente e da origem, e o fatal esquecimento do eu causado pela torrente social e sistemática. Passamos a ser “tudo” para deixarmos de ser “uno”.

O Mundo é um colosso de informação. Toda ela entra nas nossas vidas sem conseguirmos controlar de um modo preciso o que “consumimos”. Somos como que narcotizados pelo excesso de mundo que derruba o nosso eu.

O regresso como um acto solitário poderá permitir sentir o leve ruído e frescura da nascente do rio. É a capacidade de “virar as costas” ao excesso de mundo e enfrentar o Ser.

 

Victor

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 15:56
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
Fotografia

 

Gosto de Fotografia. Para mim é a necessidade de manter o contacto e a proximidade. É desejar que o vínculo, com aquele lugar ou aquela pessoa persista.

Na fotografia está presente a ausência, a lembrança, e rapidamente com um vislumbre recordar e viver.

 A fotografia é viva, tem carne e alma. A foto faz reviver o passado, com a vontade de um novo presente.

Ajuda-nos a transpor o tempo, visualizando as transformações existentes no agora.

Guardo nas minhas fotos os instantes que me parecem mais valiosos, ajuda-me a combater o esquecimento, que a memória por vezes nos nega a recordar.

Sinto-me viva a fotografar, faço-o para me certificar que aqueles momentos não terminam aí, mas permanecem nas fotos, e não serão esquecidos, nem que seja só por mim.

 

Dedicado a Victor Hugo.

 

Helena Castro Martins

Nota: Fotografias da minha autoria.

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 11:44
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Sábado, 23 de Janeiro de 2010
Gueixa

Gueixa são mulheres japonesas que estudam a tradição milenar da arte da sedução, dança e canto, e caracterizam-se pelos trajes e maquilhagem tradicionais.

 



No Japão a condição de Gueixa é cultural, simbólica, e repleta de status, delicadeza e tradição.

Uma gueixa é uma mulher treinada na arte da música, da dança e do entretenimento. Passa anos a aprender a tocar diversos instrumentos musicais,  dançar e ser a anfitriã perfeita e confidente dos seus hóspedes.

 

 


A maquilhagem, o cabelo, o vestuário e os modos de uma gueixa são calculados para satisfazer a fantasia masculina da perfeição feminina.

 



Uma verdadeira gueixa é bem sucedida porque reflecte a ideia de uma perfeição inatingível. Quando os homens contratam gueixas para animar uma festa, o assunto sexo normalmente não está relacionado. A gueixa entretém por intermédio do canto, música, dança, relato de histórias e atenção.

 


 


Actualmente, as jovens escolhem ser gueixas da mesma forma como escolhem ser médicas. Elas normalmente começam o rigoroso treino depois do ensino fundamental. Mas, apenas as mais dedicadas chegam ao status de gueixa.

Fotos retiradas do site:

www.phototravels.net/

 

 

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 14:46
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
René Magritte

 

René Magritte, é um dos meus pintores favoritos. É o Pintor das imagens insólitas, um ilusionista, podendo mesmo afirmar que as suas obras são metáforas que me transportam para a " inexistência de limite" e o "desconhecido". Aqui ficam algumas das suas obras, que para mim, são "superb":

 

The Empty Mask

Golconda

The Tempest

The Lovers

La chateau des Pyrenees

Le Mal Du Pays

 

 

Helena Castro Martins




publicado por beneath_the_howling_stars às 16:29
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
"She Dies"... Memórias

[Para alguns leiores o texto que seguirá não será novidade porque identificarão logo como um e-mail dos meus. Aproveito estas linhas para pedir desculpa pela falta de actualização deste espaço; mas por vezes a vida não é como planeamos - e se calhar ainda bem! Felizmente a vida não me corre mal, embora não seja um sonho. Mas entrei há alguns meses no mundo do trabalho, e desde então sofri algumas alterações na minha rotina, e dou por mim a não ter aquele espaço, tempo e áureas necessárias para meditar e escrever. Mas sinto que devagarinho chegarei lá; sinto que estou a caminhar para lá com passos curtos mas certos (embora alguma misantropia me esteja a acariciar o espirito e a individualidade (ehhe)). Tenho lido muito como se não houvesse amanhã. Contudo, não pensem que leio rápido. Não! Eu leio devagar e com prazer; rumino cada palavra; porque quero sentir tudo. E já comecei a escrever um textinho sobre um livro que li e gostei do que senti e do que pensei... mas sobre isso terão de esperar. Para já fiquem com o que reservei para vocês.]

 

Nesta noite comecei por calmamente ler a LOUD! # 103 (ainda!), e dou por mim a ler uma critica a um albúm best of de uma banda de Doom Metal com o interessante nome OFFICIUM TRISTE. Lembrei-me logo de uma música deles que me chamou muito atenção: "Your Eyes". Para quem não conhece e gosta de Doom, aconselho a audição com espirito aberto. Rápidamente fui procurar a música e revivi todos os momentos que senti e pensei durante o tempo que descobri essa música.

Passadas algumas re-audições, a música dos OFFICIUM TRISTE fez-me lembrar a mais bonita música Doom/Gothic que já tive oportunidade de ouvir. Tive a felicidade de estar bem feliz nessa altura da minha vida (ehhe)... é a "She Dies" dos DRACONIAN.

 

www.esnips.com/doc/f734328a-06b5-4aa3-a937-74ff14f6b638/Draconian---She-Dies

Era Inverno... o frio sentia-se e via-se nas belas paisagens que tive oportunidade de contemplar ao som desta melodia. As minhas manhãs eram saudadas com esta música, com sorrisos e aconchego. Saía de casa a ouvir este som e caminhava por jardins, tal era a poesia que sentia, pois os cheiros e as cores eram-me muito intensos. Lembro-me que nesse tempo, em Novembro, fui para Sintra e vaguei por lá com a minha amiga Andreia e falei-lhe desta música, que por sinal já a tinha enviado - foi um dia maravilhoso que ainda hoje não tive igual... ela... ambos sabemos porquê.

Escrevi... e senti-me inspirado e calmo como há muito não me tinha sentido: textos sobre um livro fabuloso: "O Mundo de Zero-A", de A. E. Van Vogt; e escrevi sobre filosofia - nesse tempo meditava sobre o Ser e os predicados.

Lembro-me que já nesse tempo tinha começado a descobrir o pensamento oriental e a descobrir coisas interessantes como ritmo - o controlo do ritmo espiritual e corporal: coisas muito importantes para a minha vida.

Lembro-me dos meus passeios. Deambulava pelo Porto depois das aulas e frequentava alguns cafés que adorava, como o Café Convivio, e o lindissimo Rosa Escura onde li parte do livro "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde (livro que irei reler), gentilmente oferecido pela minha amiga Micaela.

Lembro-me das aulas de Ontologia (sim, por incrivel que possa parecer, o meu dia era de tal maneira assombrado por esta música, que até uma aula de Ontologia com o Adélio tinha como background no meu espirito esta música). Lembro-me também que nesse tempo comecei a interessar-me pela temática do inconsciente, e frequentava muito a biblioteca para ler Freud e Yung.

 

Foi, sem dúvida, uma música que me fez abrir visões e horizontes.  E embora a música seja Doom, não significa que fique triste ou zangado com o mundo. Não! Rasgo um sorriso sincero, sinal de que vivi e aceitei tudo o que a vida teve para dar - fosse bom ou fosse mau.

É incrível como uma música consegue encerrar tantas memórias, embora estas palavras sejam apenas traduções de tudo o que senti e vivi.


Bom Inverno.

 

VICTOR

 

SHE DIES

The cold wind blew into my life, my adored.
A bleeding heart we share, now on Azrael’s wings.

I fall like autumn rain...
You are my everything.

This lovelorn kiss of death in lugubrious silence
Dawn breaks open like a wound... and the dreadful sun

Two souls entwined together,
Still so alone.
Both you and I are shattered
And frozen in stone.

You begged for air from within this cold tomb with pain sharp as a knife
I now lie resting like a child on thy womb, gave back a part of my life.

For a while it had disappeared, but nothing was changed.
A haze fell forever with her fading life.
I leaned my head back... then drank of opaline.
The emerald goddess came to me... she craved my soul
And just for a while... I had forgotten.

Yes, it was all forgotten, but nothing was changed.
Suddenly a cold breeze blew across our room...
I felt like I wanted to leave... this world with her.

Come; drink with me the divine nectar of Olympus!
Sit beside me and help defy our adversity and loss...
This adversity and loss. It all ends with you!

I kiss you in your dying breath; sleeping quietly now.
Swept away by heavy eyelids; forever in my dreams...
And you will be safe in my dearest dreams...
My love... forever in my dearest dreams.

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 22:42
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Sympathy for Lady Vengeance

          Um Filme simplesmente genial, que aconselho a todos os que poderem, para o verem, com toda a receptividade e atenção que o autor do filme Park Chan-uk merece.

 


            Em 1991, Lee Geum-ja (Lee), uma estudante de 19 anos, é condenada pelo rapto e homicídio de uma criança de cinco anos, num caso que emocionou a nação, com direito a cobertura intensa pelos meios de comunicação.

            É libertada da prisão depois de cumprir uma pena de 13 anos. Durante esse período, abraça a religião e as suas acções em prol das outras prisioneiras, sacrificando o seu tempo e algo mais, com uma dedicação inabalável, valem-lhe o epíteto de "Simpática Ms. Geumja". Em 2004, sai da prisão com um plano para executar e um objectivo claro e bem definido: a vingança.

 

            «Sympathy for Lady Vengeance» assinala o encerrar da chamada “Trilogia da Vingança” de Park Chan-uk, seguindo-se a «Oldboy» (2003) e a «Sympathy for Mr. Vengeance» (2002).

 

             Sob um mesmo mote, Park criou um trio de thrillers apelativos, com uma fulgurante componente estética e um notável equilíbrio entre o design visual e a utilização do som e da música, sugerindo um perfeito controle do realizador sobre toda a extensão dos processos artísticos aplicados a cada componente da obra cinematográfica.

            Com a chegada da «Lady Vengeance», o protagonista parece deter o controlo pleno da situação. A retribuição não pode deixar de redundar na violência e no derrame de sangue, mas na mente do executor não está a aplicação cega de um castigo definitivo, tanto quanto a realização de justiça, paralela a uma necessidade de redenção, devido ao extenso rol de pecados cometidos ao longo do caminho.

            Na prisão, Geum-ja invoca o anjo que descobriu em si. A complexidade da personagem de Geum-ja torna difícil determinar onde termina a influência da religião na sua psique e onde começa o seu controle sobre esse e outros elementos que a circundam. O que parece claro é que no dia que sai da prisão, pelo modo como cumprimenta o seu pastor, a religião é a última das suas preocupações.

            É seguro dizer que o seu objectivo se converte na sua religião. Vemo-la a acender velas junto a um peculiar altar, constituído por dois cartazes: o que anuncia o desaparecimento da criança e o retrato-robot do suspeito do rapto. As suas rezas, os seus sonhos, não incluem Jesus ou Buda, mas um homem a ser abatido (literalmente) como um cão.

            O domínio da linguagem cinematográfica por parte de Park Chan-uk atinge em «Sympathy for Lady Vengeance» um nível notável; o refinado design de produção e a cuidada composição estão ao serviço dos temas e da simbologia que trespassa todo o filme, assente, sobretudo, na utilização das cores brancas e vermelho, algo que se inicia logo com os créditos iniciais.

            O branco representa a pureza e a redenção; o vermelho o pecado, o crime e a violência (mas também a sedução). Essa representação surge no vestuário, na maquilhagem, em comida (tofu e doçaria) ou até através dos elementos atmosféricos, como por exemplo a neve.

 

            A corrupção da pureza manifesta-se visivelmente na imagem de sangue na neve, mas mesmo um bolo de morango demonstra que Park está atento aos pormenores. E, logo no início do filme, Geum-ja é recebida, ao sair da prisão, por um coro de pais natais, com o característico traje vermelho e branco.

            Park emprega, de forma exímia, mecanismos de quebra da continuidade cronológica, construindo uma sequência introdutória forte e dinâmica, onde se mostra um conjunto de eventos que se compreenderão apenas nos minutos seguintes.

             O poder da imagem (gasta, manipulada), a câmara, que se diria possuída, e a utilização da música seduzem e prendem a nossa atenção para as próximas duas horas.         Mais perto do final, há outro momento em que os flashforwards são empregues de forma habilidosa, reforçando o drama e a confusão que assola a mente das personagens.

            O agente vingador do terceiro filme já não se deixa dominar pelo desespero ou pela urgência no cumprimento do acto. Toma o seu tempo, pondera. A motivação já não é a vingança pura, irracional, mas o peso de uma culpa que acabará ainda por aumentar exponencialmente — como que uma afirmação de que as personagens não estão meramente ao serviço do argumento; surgem imprevistos e a necessidade de adaptação a novos cenários.

            Há também um retorcido e violento altruísmo, por parte de alguém que lamenta os seus pecados e o facto de ter usado outros para os seus fins. Um dos maiores contrastes do filme é a abnegação ser mais “chocante” do que “comovente” — ou, por outro prisma, se acaba por ser também comovente é por força do choque.

            Park Chan-uk não deixa de manter humor e espírito ao longo da narrativa, como a referência, na televisão, ao oportunista que se prepara para adaptar a história de Geum-ja ao cinema, ou uma consulta a um dicionário de inglês-coreano onde a primeira palavra exposta é “ellipsis”.

            O DVD de «Sympathy for Lady Vengeance» permite visionar o filme numa versão alternativa em que, a partir de determinado momento da narrativa, a cor começa a desaparecer até chegar ao preto e branco.

A diferença entre as duas versões é unicamente essa variação cromática, que constitui um modesto "efeito" visual, por comparação com a sofisticação estética que trespassa o filme. A opção reforça a utilização da cor como elemento simbólico, mas confesso que, ao rever o filme na versão de cinema, não senti falta do preto e branco.



publicado por beneath_the_howling_stars às 15:32
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Passos à Rectaguarda



Se caminhasses num terreno plano, se tivesses a boa vontade de caminhar e desses apesar disso passos à rectaguarda, então tratar-se-ia de um caso desesperado; mas como sobes um pendor tão escarpado como tu próprio visto de baixo, os passos para trás só podem ser provocados pela natureza do terreno e não tens que desesperar.

Franz Kafka, in "Meditações"

 

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 15:00
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Arte e Sensibilidade


 

 

1) Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.
2) A sensibilidade é pessoal e intransmissível.
3) Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitando nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.
4) Este trabalho intelectual tem dois tempos: a) a intelectualização directa e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmissível (é isto que vulgarmente se chama "inspiração", quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos que reduzam a sensação à frase intelectual (prim. versão: tirem da sensação o que não pode ser sensível aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, reforçam o que lhes pode ser sensível); b) a reflexão crítica sobre essa intelectualização, que sujeita o produto artístico elaborado pela "inspiração" a um processo inteiramente objectivo — construção, ou ordem lógica, ou simplesmente conceito de escola ou corrente.
5) Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte de raciocinar. Simplesmente, do trabalho de intelectualização, em cuja operação consiste a obra de arte como coisa, não só pensada, mas feita, resultam dois tipos de artista: a) o inspirado ou espontâneo, em quem o reflexo crítico é fraco ou nulo, o que não quer dizer nada quanto ao valor da obra; b) o reflexivo e crítico, que elabora, por necessidade orgânica, o já elaborado.
Dir-lhe-ei, e estou certo que concordará comigo, que nada há mais raro neste mundo que um artista espontâneo — isto é, um homem que intelectualiza a sua sensibilidade só o bastante para ela ser aceitável pela sensibilidade alheia; que não critica o que faz, que não submete o que faz a um conceito exterior de escola ou de moda, ou de "maneira", não de ser, mas de "dever ser".

Fernando Pessoa, in 'Carta a Miguel Torga, 1930'



publicado por beneath_the_howling_stars às 10:14
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Noctífero Véu

Desta vez deixo uma musica que compus em Lisboa, quando eu e o meu amigo Hugo (Tenebrarum) divertiamo-nos a fazer uma musicas - bons tempos que espero ansiosamente repeti-los.

 

A musica foi tocada num teclado midi numa tarde qualquer de Inverno; e a letra foi retirida dum texto que já tinha escrito há algum tempo. Esta encaixa perfeitamente no contexto conceptual da história que criámos à volta das músicas. De resto, deixo a vocês o gosto e apreciação.

 

 

 

 

VÉU

 

Quero rasgar o vestido da Noite e foder com ela

O violino mistura-se com os meus gestos ilusórios

E as vozes cercam a minha cabeça

Perco-me numa quimera sinfonia erótica

Vermelho com Preto

E o meu desejo

 

Quero aquela essência e espumar de loucura

Quero a Noite só para mim

Viola-la e acaricia-la

Leva-la por aí...

Numa floresta qualquer

 

 

 

www.esnips.com/doc/8f47f6b5-d482-4202-8d7a-3a7f0857dd80/02-Noctífero-Véu

 

[como não consigo colocar a música em flash, podem ouvi-la clicando no link em cima]

 

Música e letra: Victor

Imagem: ???

Agradecimentos: Hugo (Tenebrarum)

 

Victor Hugo



publicado por beneath_the_howling_stars às 02:01
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Um pouco de Cradle of Filth

Invoking the Unclean (demo) (1992)

 

The Black Goddess Rises (demo) (1992)

 

Orgiastic Pleasures (demo) (1992)

 

 

A Pungent and Sexual Miasma (split with Malediction)

 

Total Fucking Darkness (demo) (1993)

 

The Principle of Evil Made Flesh (1994)

 


 

Imagens

 

 

 

 

 

 

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Vempire or Dark Faerytales in Phallustein (1996)

 

 

Dusk and Her Embrace (1996)

 

 

Imagens

 

 

 

 

 

 

 

 

 










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Cruelty and the Beast (1998)




Imagens


 

Line up

 



Robin Graves




Stuart




Nicholas




Gian




Dani Filth




Lecter





























 

Midian (2000)

Damnation and a Day (2003)

Nymphetamine (2004)

Thornography (2006)

Godspeed on the Devil's Thunder ( 2008)

Live albums

Live Bait for the Dead(2002)

Compilation albums

 

Bitter Suites to Succubi (2001)

Lovecraft & Witch Hearts (2002)

Singles

Babalon A.D. (So Glad for the Madness) -2003

Mannequin (2003)

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 13:12
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Fotografia

Algumas fotografias tiradas , numas merecidas férias:

 

 

 

 

 

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 11:33
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso


 

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

E. E. Cummings, in "livrodepoemas"



publicado por beneath_the_howling_stars às 11:20
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Borobodur

Borobodur é o maior monumento budista do mundo. Situa-se na parte central da ilha de Java, aproximadamente a 40 km ao noroeste da cidade de Yogyakarta, um dos centros de cultura javanesa tradicional.

Actualmente é a atracção turística mais popular da Indonésia. Foi construído no século VIII, originalmente como um templo hinduísta.

Com o advento do islamismo à ilha de Java, foi abandonado e envolvido, com o passar dos anos, pela selva até a sua redescoberta em 1814 por colonos ingleses. A Unesco promoveu um programa para sua reconstrução e recuperação que findou em 1983.

A história deste monumento ainda não está totalmente esclarecida. Os cientistas que estudam a antiguidade da Indonésia, frequentemente deparam-se com gravuras em pedras,  de difícil solução.  Por isso não é possível saber precisamente o ano de início de sua construção e nem o de término.

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 14:03
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Pepé Le Pew

 

Pepé Le Pew é uma figura de ficção que já ganhou um Academy Award.
 

É uma figura de ficção criada pela  Warner Bros,  e foi introduzida pela primeira vez na televisão em 1945.


Uma doninha que vagueia pela cidade de Paris, na Primavera e está constantemente à procura do "l'amour".


No entanto tem três desvantagens que o marcam: têm um cheiro horrível, tem uma personalidade que têm uma mistura de agressividade e paixão em demasia e não sabe aceitar uma recusa.


As histórias de Pepé Le Pew envolvem tipicamente a procura incessante de uma doninha para partilhar o seu amor.

 


 Porém, invariavelmente a suposta doninha fêmea que tanto deseja é uma gata preta, chamada Penélope, que tem pintada uma risca nas costas devido a um acidente com tintas.
Normalmente, Penélope foge incessantemente de Pepé, por causa do seu odor ou por ser demasiado agressivo na forma como demonstra o seu amor.


Porém, algumas vezes Penélope mostra ter algum sentimento amoroso por Pepé.


Uns desenhos animados maravilhosos, que me fazem lembrar muito o tempo, em que ao fim de semana, em criança acordava bem cedo para ir ver os desenhos animados.


Recordar é viver!

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 14:58
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
meditações II

 

[Desta vez escreverei um texto que, para além da áurea meditativa, não vou deixar de ser parcial nele; o que significa que falarei um pouco do que sinto, exporei uma perspectiva minha e que não deve, de todo, ser considerada como Verdade, ou como algo que deva ser seguido como “o caminho”. Não será, assim, só aquela “perspectiva da Estrela de Sirius”, mas também uma perspectiva terrena, por assim dizer.]
 
À medida que vou descortinando aparências e pareceres, uns por detrás de outros, vou apercebendo das várias características que esses véus tinham ou que continuam a ter. Porque descortinar não significa tirar fora o véu e deixa-lo ficar para trás no esquecimento; significa antes avançarmos, embora este avançar não tenha que ser necessariamente para a frente. Avançar em frente, neste contexto, significa aceitar o dado; e eu não aceito o dado, pelo menos de forma imediata. E mesmo que o entenda nas suas várias formas categoriais, eu não o aceito imediatamente. Porque sei que posso tirar fora outro véu, posso descortinar outra aparência que a coisa pode ter. Por outro lado, não aceitar imediatamente não significa que esqueça a importância que a coisa dada pode ter. Portanto, quando avanço raramente sigo em frente; talvez dou um passo para o lado, ou quem sabe, um passo para trás.
 
Descortinar, aqui, tem um carácter hermenêutico, já que permite avançar inserido nesse contexto. Ligado ao carácter hermenêutico, a compreensão está presente; um movimento íntimo com o avanço, já que avançar permite alargar o horizonte de compreensão – quantos mais véus conseguir tirar fora, mais largado será o meu horizonte de compreensão. Contudo, como disse atrás, o avanço não tem de ser um movimento em frente; e talvez, de um modo heideggeriano, este processo hermenêutico tenha um movimento para a origem. Assim, avançar é descortinar, movimentando a nossa compreensão para a origem. (E aqui simpatizo com Heidegger, quando ele expõe a sua ideia de que , na origem, se poderá abraçar o Ser e encontrar o lugar do Ser). É na origem, espaço virgem do avanço inicial, onde se poderá sentir o Ser na sua pureza – sem formas categoriais a priori, sem gramáticas, sem a razão e a lógica que são a matriz que o Homem construiu, através das suas experiências no mundo, e que lhe permite entender o ser das coisas – não lhe permite entender o Ser, mas apenas os sendos; ou seja, aplicando a matriz no mundo, as coisas do mundo são facilmente identificáveis, embora essa identificação, ou várias identificações, não passem de véus que ocultam, progressivamente, o Ser.
 
Então, ao aperceber-me das características que esses véus possuem (as categorias), fico mais convencido que avançar para a origem, é, para mim, o meu horizonte de sentido, na medida que permito a abertura para o Ser. Não sei, contudo, se essa abertura me permite chegar ; mas, dar a oportunidade a essa abertura é, já por si, um avanço, a meu ver, positivo.
 
Porque não aceito imediatamente o dado; porque não aceito as pertinências que os Homens têm para alcançar a Verdade; porque não aceito as regras; porque não aceito a evolução da técnica; porque não aceito a “verdade” científica; porque não aceito os véus que ocultam o Ser – e há tantos!
Porque, ocultar o Ser não é só identificar pelo Logos o mundo e as coisas; é, também, ocultar a nossa identidade – que a meu ver, está presa nos pilares metafísicos que o Homem ergueu; ficou , oculta, na origem.
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 14:09
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009
[sem título]

 
penumbra
num espaço dedicado a mim
evocado, esotérico
sinto o que sempre senti
nem sei se dói ou se sorrio
fantasmas
o passado surge
em visões descontroladas
uma janela, a chuva que cai
o vinho que escorre
o cheiro da noite
o meu semblante
iluminado pelos candeeiros
espectante, contemplativo...
 
senti
 
o vinho ainda escorre
misturo-o com lâminas
com seduções e corpo
fragrâncias e sabores
e noite
tónico
loucura
misantropia
 
o que faço para sentir...
 
Victor Hugo
Ilustração: "o filósofo", de Tó Luís

 

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 13:08
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2009
A Fotografia

A Fotografia é silêncio.

Provocante e condutora de um infinito de discursos.

Encontra-se a ausência, a lembrança, a separação.

É um prazer.

É uma imitação de algo que existe.

É uma necessidade de proximidade.

É querer prolongar o contacto,

Não deixar morrer o desejo.

A fotografia é o momento, do momento que não podemos esquecer.

 

Helena Castro Martins

8 de Maio de 2009

 

Nota: O meu querido amigo Victor, partilha comigo o gosto pela fotografia. Aproveito para apelar para que ele coloque neste blog, algumas fotografias tiradas por ele, que me trouxeram uma pitada de lembrança, de sonho, de poesia.

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 12:48
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Domingo, 3 de Maio de 2009
LIVRO – “O Monte dos Vendavais”, de Emily Brontë

 

A minha querida amiga Helena dotada de um “romantismo” incomum colocou no correio um livro destinado à minha morada. Sem estranheza, mas bastante ansioso, desembrulho a encomenda e deparo-me com o usado livro “O Monde dos Vendavais” (Wuthering Heights), da Emily Brontë. As primeiras impressões foram muito positivas, e nem me refiro ao texto mas antes à qualidade da capa, a cor das folhas que denota a passagem pelo tempo e o fabuloso cheiro que emana. Mas quanto ao texto, este revelou-se uma verdadeira surpresa e um derradeiro prazer.
 
Os primeiros momentos de leitura foram extasiantes e fabulosos. A escritora mostra uma escrita deliciosa, situada no romantismo inglês, mas também com pitadas do realismo francês. A descrição ilustrada (não como o nosso Eça) mostra-nos a delícia das paisagens dos campos e dos montes, dos cheiros e das cores que assombram os cenários. Rapidamente fiquei deslumbrado, e muito mais importante, fiquei como há muito não ficava com a delícia da leitura: calmo... muito calmo e contemplativo. Para expandir todas estas disposições deixei queimar um pauzinho de incenso “Queen of the Night” e deixei-me ir...
 
O que mais se destaca neste livro são os sentimentos, já que toda a trama das personagens é bastante envolvente, poética e bucólica. Todo o cenário e paisagens são como que o oráculo que dão sinais de como se desenrolará o percurso das personagens. Senti-me muito envolvido nas belas descrições que a autora empregou com bastante arte. Desde o cinzento do Inverno que cobre o Monte dos Vendavais até ao verde da primavera que expele fragrâncias acolhedoras e devaneantes. Aqui o lugar do leitor (neste caso eu – não significa que sejam para todos os leitores) é um lugar privilegiado numa viagem (várias analepses) por entre vários sentimentos, bastante humanos, desde o amor ao ódio – ambos narcóticos para a loucura; ambos muito idênticos.
 
“A love that never dies
Nefarious as her winds
Stirring silhouettes to rise
 
When stars fall pale
And to drown back in Her eyes
Is to madden ghosts within
To unhinge a thousand sins
From Death's dark vale”
 
“Queen of Winter, Throned”, by Cradle Of Filth
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 17:17
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Necrológio dos Desiludidos do Amor

 

 

Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.

Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...

Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Brejo das Almas'

 

Imagem da minha autoria, que pode ser encontada no meu site do deviantart: http://petrasoul.deviantart.com/art/caminho-79164355

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 09:31
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Sábado, 25 de Abril de 2009
Liberdade de "ser"

Pode parecer cliché escrever e meditar sobre a liberdade nesta data tão importante. O certo é que depois do 25 de Abril muita coisa mudou, como a história nos pode contar - não só a história mas também os nossos antepassados relatam episódios do seu tempo, com aquele brilho da experiência mas também com a pretensão de mencionar que “no meu tempo é que era”; confesso que gosto de ouvir o relato oral desses episódios dos meus antepassados, de gente antiga com uma perspectiva da vida distinta da minha (relatos não só referenciados a esta dia, mas também relatos de episódios das suas experiências – delicioso).

 

Nesses tempos, a censura assombrava, por assim dizer, o território nacional e não havia liberdade de expressão; havia imenso controlo na sociedade, nas suas acções, nos seus discursos, nos seus gestos, nos seus gostos, no seu pensamento. O Estado Novo dominou (quase) completamente o povo desta terra.

 

Surge a revolução de Abril (como devem reparar estou a acelerar este relato histórico), e começa-se a especular sobre a liberdade; “começa-se a exercer a liberdade e começa o declínio da sociedade”- relato dos antepassados. E afirmam isto com aquele brilho, e o tal preciosismo do seu tempo. Não censuro isso, porque um relato de uma perspectiva da vida, mesmo que seja partilhada por muitas pessoas, não deixa de ser uma perspectiva. O certo é que hoje há oferta que antes não havia, serviços que não existiam, discursos que são recuperados, arte que é recuperada e investigações recomeçadas.

 

Mas, continua-se a falar de liberdade; continua-se a falar dos seus prós e contras; continua a haver, de um certo modo, controlo e censura em coisas muito importantes como a identidade. Quantos de nós somos censurados e criticados (más criticas, mal formuladas) por sermos o que somos? Quantos de nós ouvimos coisas sobre “nós” e mesmo sobre “eles”, e que não passam de observações e criticas que não têm “ponta por onde lhe pegar”? Quantos de nós não ouve essas observações, e apercebe-se que são fruto dos pré-conceitos que sistematizam tanto a crítica e o discurso como o próprio pensamento, estreitando, assim, o horizonte e alargamento de compreensão?

 

Costuma-se dizer que “a liberdade de um começa onde a de outro acaba”; talvez seja mesmo assim, mas gosto de pensar que não tem de ser assim. A liberdade de um não tem de terminar com a liberdade do outro. É por isso que o Homem teve a necessidade de criar um Estado de Direito que permitisse a criação de normas e leis que controlassem a própria acção humana. Mas mesmo que não existissem estas normas e leis, conseguem conceber o Homem assim? Um Homem natural, por assim dizer? Não fica a sensação que andaríamos à deriva, “ao deus dará”? Será que realmente necessitamos de nos normalizar?

Já dizia o outro que o Homem é um animal político, um animal que se dá em sociedade. Depois veio outro que vai para a montanha meditar e aprender a “ser”; e depois, qual “cristo”, vai pregar para o meio dos Homens; diz o que é a vida, e como ela se tornou decadente – “Despertai! Ó Humanidade! – assim falava Zaratustra”.

 

Fica a meditação e as questões em aberto.

 

Victor Hugo

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 16:39
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009
LÖBO – Alma (EP) – 2009

 

 

É uma lufada de ar fresco o aparecimento dos Löbo com um trabalho verdadeiramente surpreendente. Para mim, que considero que o metal português está a crescer e a evoluir por caminhos muito interessantes (experimentem a banda ARS DIAVOLI), este EP “Alma” vem confirmar a pico do feeling (alma!) e criatividade deste colectivo de Setúbal.
 
Se em tempo passado o espectro do metal nacional estava eclipsado pelas bandas que conseguiam contractos e expansão no estrangeiro, hoje sinto que o crescimento no nosso rectângulo tem sido positivo, e que muito mais importante do que um feedback internacional, é muitíssimo mais importante o feeling, novamente, que se emprega nesta arte.
 
E este trabalho dos Löbo está carregado de sentimentos nocturnos, misantropos e aveludados; como se os sons deste colectivo agarrassem o nosso espírito e o colocasse noutro plano, noutra realidade. É isso que sinto quando incansavelmente repito esta viagem. Existe uma melancolia, mas a melancolia é doce; sorridente; afaga e transmite... alma! Não há tristeza, porque aqui não há dor; aqui há desejo e contemplação.
 
Creio que à minha maneira entendo o som dos Löbo, e interpreto-o e sinto-o como se fosse uma recriação. Cabe a cada um interpreta-lo e senti-lo com o seu estilo.
É de admirar e salutar este trabalho português, que de uma forma subtil nos dá um pouco de nós... um pouco do que desconhecíamos.
 
"Na noite sem fim, incendiei a minha älma"
 
 
Victor Hugo


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Quinta-feira, 2 de Abril de 2009
Absurdistan

No último FantasPorto esteve em exibição um filme maravilhoso, do realizador Veit Helmer, chamado “Absurdistan”. Absurdistan é um termo, por vezes utilizado para descrever satiricamente um país, onde o comum é o absurdo, especialmente no que concerne à forma de agir das autoridades públicas e políticas. Esta expressão foi primeiramente usada pelos dissidentes, para se referirem à união Soviética. Tudo indica que este termo começou a ser usado durante a perestroika.

A história do filme é hilariante, com efeito visual aliciante, e que na minha opinião capaz de prender o espectador a cada momento. Atrevo-me a dizer que a composição do filme parece uma fusão de Federico Fellini,  Stanley Kubrick e Emir Kusturica.

Não se trata apenas de uma simples comédia doméstica, mas sim de um verdadeiro conflito entre sexos, criando tensão na aldeia, e tornando esta numa verdadeira zona de guerra. Um filme cheio de charme e delicadeza, uma alusão ao realismo mágico do amor, e da maneira como o homem e a mulher tentam entender-se um ao outro.

 

HISTÓRIA

Numa aldeia isolada, algures entre a Europa e a Ásia, num tempo entre ontem e hoje. A aldeia padece desde sempre da falta de água, havendo por causa desta uma verdadeira luta entre as mulheres para a obterem. A aldeia é habitada por dez famílias, fazendo parte destas Aya e Temelko,que sempre foram inseparáveis desde a infância. Quando atingem a adolescência, ambos já só desejam que chegue, finalmente, a sua primeira noite de amor.

De acordo com as velhas tradições, esta será determinada com a ajuda das estrelas e iniciar-se-á com um banho ritual comum. Porém, pouco antes de chegar o dia ansiosamente esperado, a fonte seca misteriosamente!

Perante a indiferença dos homens, que nada fazem para reparar o dano, as aldeãs decidem avançar para métodos drásticos: expulsam os homens das suas camas, dividem a aldeia com uma vedação destinada a separar o mundo masculino do feminino e entram em greve: sem água não há sexo!

Aya, naturalmente, solidariza-se com a causa das mulheres. Na tentativa de salvar o seu amor, e para poder consumar a primeira noite sob os bons auspícios da favorável constelação estelar, Temelko tudo irá fazer para que a água volte a brotar da fonte. Para isso irá ter que recorrer a métodos bem pouco ortodoxos.

Um filme genial, que aconselho a assistir.

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 10:02
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Terça-feira, 31 de Março de 2009
Dimensão do pensar

 

Cultivo a dimensão do pensar, porque sei que essa é a minha natureza. Sinto-me mais 'eu' percorrendo esse caminho do pensamento; alargando o meu horizonte de possibilidades e de entendimento. Num mundo onde o agir é sobrevalorizado e o pensar é subestimado, sinto-me uma persona "à margem", olhado com estranheza e apontado com criticas abaladoras no âmbito técnico. Todos nós pensamos; mas nem todos sabem valorizar o pensamento. Estamos imersos noutras realidades que ocultam a Natureza do nosso Ser. Realidades técnicas que se desenvolveram, e que substituiram a nossa identidade por outras identidades mais práticas, simples e não-estranhas; fáceis de manejar, deturpar, enganar, manipular. Perdemos a nossa essência e transformámo-nos em coisas, em produtos, em ferramentas. A dimensão do pensar fundamental, original, foi colocada noutros planos da existência; em planos ocultos, "à margem" das realidades técnicas. Quer dizer, ela tornou-se numa utilidade deixando, assim, de ser fundamental e original; porque ela é tomada, pela realidade técnica, como uma ferramenta; ao invés, os outros, os que estão "à margem", imergem nela e fazem dessa dimensão o seu lar. Somos poetas porque acolhemos a essência das palavras, e não as utilizamos para fins conquistadores. Imergimos nessa esfera de totalidade, onde a linguagem pura não se confunde com as ilusões criadas pela técnica.
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 12:25
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Quinta-feira, 26 de Março de 2009
Esculturas em Papel

 

Peter Callesen é um escultor que trabalha com papel. Tem trabalhos fantásticos, que merecem ser apreciados:

 


 

 

 

 

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 11:36
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Contemporary Sculptures

 

Escultura de Cadeiras " Black Whole Conference" , feita com 72 cadeiras, da autoria de Michel de Broin em 2006 e fez parte do Québec Triennial "Nothing is Lost, Nothing is Created, Everything is Transformed" em exibição no Musée d’Art em Montreal.

 

Em 2007 o artista coreano Jean Shin criou a "Sound Wave", com discos de vinyl derretidos.

 

 

Em 2007  Damián Ortega  criou a escultura " Controller of the Universe ", que consiste em facas e ferramentas suspensas.

 

 

A escultura " On Gold Mountain" é uma vista panorâmica  de São Francisco feita com panelas e taças de inox , criada pelo artista Zhan Wang. Encontra-se no

Asian Art Museum em San Francisco.

A artista Helena Bangert criou a escultura de areia de "Pinhead", uma personagem do filme Hellraiser, em 2004 na Bélgica.

 

 

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 10:06
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Vincent Price

 

Hoje vou partilhar um pouco do meu fascínio pelo actor Vincent Price.   Na minha opinião, representava genialmente, tinha uma voz sonante e um olhar indescritível.
Já vi muitos dos filmes em que participou, mas para mim os filmes “The Masque of the Red Death”, “The Tomb of Ligeia” ou “Theatre of Blood”,   são filmes imprescindíveis.
 O meu preferido é "The Masque of the Red Death", cujos diálogos foram inseridos no album dos Theatre of Tragedy ,”Velvet Darkness They Fear”, na música "And When He Falleth"
 
Um pouco de Vincent Price:
 
 
Vincent Leonard Price Jr nasceu em St. Louis, a 27 de maio de 1911 nos Estados Unidos. Price era de uma família rica, cercada por um ambiente cultural acima dos padrões e envolta em tradições antigas à moda europeia.
Price tornou-se um dos grandes expoentes do cinema de horror e ficção científica de todos os tempos e juntou-se ao magnífico grupo de astros imortais como Bela Lugosi, Boris Karloff ,John Carradine, Peter Cushing e Christopher Lee .
 O seu último filme foi Edward Mãos de Tesoura (1990), no qual contracenou com Johnny Depp.
Três anos depois, já com 82 anos, faleceu.

 

 

Helena Castro Martins

 

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 08:51
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Segunda-feira, 16 de Março de 2009
SHIVA

Ouvi pela primeira vez uma música do grupo sueco de Hard  Rock progressivo, Shiva, quando o Victor me enviou uma música chamada " Chameleon". Fez-me despertar curiosidade em conhecer mais da sua obra.

Quando ouvi o álbum "The Curse of the Gift" fiquei verdadeiramente apaixonada pelo grupo. Fiquei tão extasiada , que resolvi fazer um vídeo da primeira música que ouvi, Chameleon.  O álbum é soberbo, tendo também a música "Kill The Past", merecer toda a minha atenção.
A vocalista Anette Johansson tem uma voz muito peculiar e intensa. É um grupo que adoraria ver ao vivo. Espero que um dia seja possível.

 

 

 

 

 

 

 

 

Se quiserem ver o vídeo que fiz para a música Chameleon, é só irem a :

 

http://www.youtube.com/user/hmcm1981

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 13:07
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Sábado, 14 de Março de 2009
D.A.D. - No Fuel Left For The Pilgrims - 1989

 
O clima vai mudando, e as temperaturas divergindo; do mesmo modo as minhas inclinações e vontades vão divergindo, mas acompanhando um ritmo natural que tem muito que ver com as temperaturas, os cheiros e os feelings.
A Primavera está a chegar a passos largos, e as temperaturas máximas sobem ligeiramente; os cheiros do calor substituem o odor da humidade, e o que mais apetece fazer logo de manhã cedinho é colocar este “No Fuel Left For The Pilgrims”, dos rockeiros D.A.D., na aparelhagem e disparar o volume para o máximo (quer dizer... uma das coisas que apetece fazer). Porque, não consigo e nem tenho vontade nenhuma de ouvir a lindíssima musica “She Dies”, dos Draconian, sentindo calor, as temperaturas altas a invadirem o meu corpo e uma vontade terrível de beber cerveja e “abacalhar” numa cidade mais próxima; nem vontade de ir ver um concerto dos Moonspell, com 30º de temperatura às 17h num descampado em Lisboa (vejam se tem algum jeito o Sr. Fernando Ribeiro, encandeado pelo forte sol e transpirado, dizer o seguinte: “Vampiria, you’re my destiny”. Com o devido respeito, Fernando, até que gosto muito do trabalho dos Moonspell, mas no Equinócio de Outono prolongando pelo Solsticio de Inverno). E o mesmo acontece, por exemplo, com os fabulosos Draconian. A maior vontade e o maior prazer que tenho é quando em meados de Novembro, assim pela manhã nublada, coloco a soar o arrepiante fade in da “She Dies” – faz todo o sentido para o meu espírito. Contudo, isto não significa que deixe de ouvir radicalmente os sons mais obscuros e misteriosos do metal e da clássica só porque o Equinócio da Primavera está perto. Não. A noite permite, com um ambiente apropriado, evocar áureas etéreas, envolventes e aveludadas, com a ajudada de incenso, pouca luz e o som do mais frio e misantropo black metal.
Mas o que dizer deste “No Fuel Left For The Pilgrims”? Ele data de 1989, e confesso que não o ouvi nessa altura, a não ser involuntariamente quando lá por casa alguém colocava a rodar a fita da cassete num rádio estéreo. Não tomava atenção alguma, até que nesse tempo ouvia coisas como Dire Straits, Enigma e... rádio. Mas passados muitos anos, decidi experimentar este álbum contagiante em plena cidade de Lisboa, em 2004. Caros amigos, nesse Verão não quis outra coisa senão ouvir D.A.D. O rock que tocam é bastante positivo, com riffs tais que o corpo não resiste a acompanhar cada ritmo das músicas; alem disso, é um rock oposto à atitude do punk que na altura se estava a revelar bastante pessimista; assim, esta banda revela-se com um anti-punk rock, por assim dizer, apelando à diversão e ao à vontade que todos devem ter, defendendo uma vida tranquila com os amigos, de preferência pela estrada fora a “abacalhar” numa cidade mais próxima! O humor está sempre presente nas letras, mas com a dureza rockeira do melhor álbum de rock que alguma vez ouvi.
Começando logo pela fabulosa “Sleeping My Day Away”, passando pela “Rim Of Hell” e “Lord Of The Atlas”, terminando na brutalíssima e headbanger “Ill Will”, todo o álbum ouve-se sem esforço, e quando damos por isso já estamos a repetir a audição.
Este Verão iniciado com esta boa disposição vai ser, de certeza, bastante sorridente rítmico e feliz... mesmo desempregado, sei que vou sorrir com os amigos.
Sugiro, desde já, a audição deste rock; tenho a certeza que até os mais sisudos não vão ficar indiferentes... mas pela positiva!
 
“So if you wanna travel along with me, you better sleep tight the rest of the day”
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 12:25
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Terça-feira, 10 de Março de 2009
extensão pelo cosmos...

 

Sou muitas vezes estimulado por aquele sentimento estético que enquadra o real como uma extensão de mim – tanto do corpo como do espírito. É um sentimento estético porque desconstrói-me de tal maneira que sinto a necessidade de (re)criar-me a partir dessa ligação extensiva; (re)crio-me sem palavras e sempre pela Natureza – a mais abstracta das artes, a mais verdadeira das verdades e a entidade mais corrompida. Chamar-lhe arte é já uma mais-valia; bastante melhor do que chamar-lhe artefacto ou matéria prima. Distingo-a de tal maneira que sinto a honra da permissão de me estender e fundir com ela e por ela. Contudo, não é só a Natureza que me dá esse privilégio; também a obra do Homem merece um destaque, já que aquela que está ao alcance inegável de todos – a arquitectura – me afecta pela sua subtil (por vezes) fusão com o Natural. Porque esta forma de arte é um artifício, mas consegue (por vezes) conjugar-se de uma forma suave com o reino mais abstracto – a Natureza (que já existe muito antes da arquitectura). Mas por ser tão bem conseguida, por mostrar uma espiritualidade intensa e uma história de Homens, me sinto, embora de outro modo, ligado a ela; e não sendo, de modo algum, uma arte fechada, sinto-me enraizado nesse nó entre o artificial e o natural – entre o espírito do Homem e o espírito da Terra.
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 22:26
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To Autumn


  
SEASON of mists and mellow fruitfulness!  
  Close bosom-friend of the maturing sun;  
Conspiring with him how to load and bless  
  With fruit the vines that round the thatch-eaves run;  
To bend with apples the moss'd cottage-trees,         
  And fill all fruit with ripeness to the core;  
    To swell the gourd, and plump the hazel shells  
  With a sweet kernel; to set budding more,  
And still more, later flowers for the bees,  
Until they think warm days will never cease,  
  For Summer has o'er-brimm'd their clammy cells.  
 
Who hath not seen thee oft amid thy store?  
  Sometimes whoever seeks abroad may find  
Thee sitting careless on a granary floor,  
  Thy hair soft-lifted by the winnowing wind; 
Or on a half-reap'd furrow sound asleep,  
  Drowsed with the fume of poppies, while thy hook  
    Spares the next swath and all its twinèd flowers;  
And sometimes like a gleaner thou dost keep  
  Steady thy laden head across a brook;   20
  Or by a cider-press, with patient look,  
    Thou watchest the last oozings hours by hours.  
 
Where are the songs of Spring? Ay, where are they?  
  Think not of them, thou hast thy music too,—  
While barrèd clouds bloom the soft-dying day,  
  And touch the stubble-plains with rosy hue;  
Then in a wailful choir the small gnats mourn  
  Among the river sallows, borne aloft  
    Or sinking as the light wind lives or dies;  
And full-grown lambs loud bleat from hilly bourn;   
  Hedge-crickets sing; and now with treble soft  
  The redbreast whistles from a garden-croft;  
    And gathering swallows twitter in the skies.

 

John Keats

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 09:06
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Michael Cross Bridge

Michael Cross com a obra "Bridge" , fez o deleite de muitos no London Design Festival do ano passado. A obra situava-se numa antiga igreja repleta de água.  À medida que as pessoas se aproximavam da água, iam aparecendo pedras, para poderem circular pela água, criando assim um caminho para percorrer.

À medida que andavam, as pedras atrás iam desaparecendo, dando a sensação que as pessoas andavam em cima da água.

Parece-me fantástico.

 

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 08:29
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Sexta-feira, 6 de Março de 2009
Estas Almas Incertas

 

Quero um mal de morte
A estas almas incertas.
Tortura-as a honra que vos fazem,
Pesam-lhes, dão-lhe vergonha os seus louvores.
Porque não vivo
Preso à sua trela,
Saúdam-me com um olhar agridoce.
Onde passa uma inveja sem esperança.

Ah! Porque não me amaldiçoam!
Porque não me viram francamente as costas!
Aqueles olhos suplicantes e extraviados
Hão-de enganar-se sempre a meu respeito.

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"



publicado por beneath_the_howling_stars às 12:39
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Segunda-feira, 2 de Março de 2009
NOH

Noh é uma forma clássica de teatro profissional japonês, que combina canto, pantomima, música e poesia. As actuais companhias de Noh estão localizadas em Tokyo, Osaka e Kyoto. 

 


É uma das formas mais importantes do drama musical clássico japonês, executado desde o século XIV.
A narrativa foca o protagonista (shite), o único que usa uma máscara. Shite é um espírito errante que exprime, de forma lírica, a nostalgia dos tempos passados.

O coadjuvante (waki), geralmente um monge, não interfere no curso da acção, apenas revela ao público a essência do shite.
Um coro e quatro instrumentos acompanham o trama, que se soluciona através da dança. O coro possui uma função dramática decisiva, conduzindo a narrativa.


No Noh, a descrição de cada cena repousa unicamente no texto do canto, nos gestos e nos movimentos do actor. A combinação desses elementos obedece a regras corporais e musicais, resultando numa estética extremamente refinada, que gera dificuldade em compreendê-lo e apreciá-lo, sobretudo no que se refere ao libreto, escrito em linguagem arcaica e complexa, na codificação dos gestos e movimentos, e na linguagem musical característica, totalmente estranha aos ouvidos comuns.


Os movimentos sintéticos do actor, são quase imperceptíveis como, por exemplo, de uma maneira estilizada e subtil, levanta os olhos para a lua, ou num gesto com a mão retira a neve do kimono.
As peças Noh decorrem num palco despojado, feito de hinoki liso (cipreste japonês). O cenário é, constituído apenas pelo "kagami-ita," um pinheiro pintado, no fundo do palco, mesmo que a peça se desenrole noutros locais.


Há várias explicações para o uso desta árvore, sendo a interpretação mais comum, a que se refere aos rituais xintoístas, em que os deuses descem à Terra por este meio. Outro adereço inconfundível é a ponte estreita (a "Hashigakari"), situada à esquerda, na qual os principais actores utilizam para entrada e saída das personagens.

Por tradição os actores de Noh não ensaiam juntos, cada actor pratica os seus movimentos e canções sozinho ou com a orientação de um membro mais antigo. Entretanto, o ritmo de cada apresentação é determinado pela interacção de todos os actores, músicos e pelo coro.


Uma das peças mais famosas do repertório noh,  é "Hagoromo - O Manto de Plumas", que tem uma "transcrição" para o português, feita pelo escritor Haroldo de Campos.

 

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 13:40
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Domingo, 1 de Março de 2009
Perguntar

 

Perguntar-te. Perguntar-te calmamente para quê. Ou porquê. Perguntar-te calmamente pela resposta…aquela que sabia que não darias.
Ouvir-te responder apressadamente que a sonoridade do “quê” te intimidava. Que a minha calma, enfim, denunciava o julgamento da resposta que não darias. Que não deste.
E a porta bate bruscamente. Leva consigo a raiva que a minha voz cansada não conseguiu fazer correr. Deixa apenas o eco do silêncio que ficou entre as palavras não ditas. Entre as palavras malditas… essas que pensaste e eu nem senti!
O silêncio entre nós e a porta que bruscamente se fechou.
Por favor cala-te. Não suporto mais imaginar que possas falar. Por isso cala-te. Tu e esse teu estúpido silêncio…
O tudo e o nada, o sempre e o nunca… lugares comuns onde não estiveste afinal!
Pensar que queria apenas perguntar-te calmamente…
Onde fica o porquê? E o Se? O que estará entre o enlaçar aconchegante daqueles braços que te sentem como se fosse a última vez, e o abraço aprisionante, que como correntes te prende para sempre?
Para onde olhas quando ouves o teu nome vindo de duas direcções?
Não há muito tempo para hesitações… sim ou não! Parece estar ocupado o espaço do entretanto.
O talvez não serve.
Corre. Porque o tempo da vida impõe-te que corras.
E a porta que entretanto se fechara, volta a abrir-se para novamente bater bruscamente, e levar consigo a ditadura do tempo. Levar consigo o teu silêncio – esse que eu quis calar – e levar-te a ti.
Mantenho-me ali. Imóvel. O olhar a penetrar violentamente a porta fechada, a querer invadi-la e seguir cada um dos teus passos sem rumo.
Fumo um cigarro e nem me apercebo. Penso-o mais do que o fumo. Assim desaparece… deixo pelo ar a prova sem forma dos pensamentos que ali se cruzaram e ali se esvaneceram, como o fumo do cigarro que não fumei…
Abandono as paredes amarelas daquele quarto.
Levo comigo o teu odor, e as mãos tal como as encontrei naquela noite… vazias!
 
Preta / Inicio de 2007


publicado por beneath_the_howling_stars às 17:40
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009
[sem título]

Melancólica... Obscura

Soa lá no fundo da paisagem
Movimentos femininos...
Um ballet e seda cinzenta
Câmara lenta
O meu olhar anestesiado
Ouço uma melodia pálida
Confunde-se com o vermelho
Mistura-se com a paisagem
Dança com a silhueta...
Riscos brancos
Cheiro cinzento
Cortinas ao vento...
Uma luz atravessa
Rasga a paisagem
O encarnado cruento
Transborda pelo cinzento
Afoga o meu olhar...
FLASH....
Preto e branco
Olhos... boca... língua...
Seios... dedos... anca... pés!
Suor... saliva... sémen!
FLASH... epilepsia
Psicadélico preto e branco
Voam pedaços de um corpo
Um suave turbilhão de imagens....
Parece parar....
Onde estou?
Vagueio pelas cortinas cinzentas
Deslizo em direcção á luz...
Silêncio...
Perdi-me!
 
Victor Hugo / 22-04-2003


publicado por beneath_the_howling_stars às 17:46
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Casper David

Caspar David, é um dos meus pintores favoritos. Caspar David Friedrich foi um pintor, escultor romântico alemão, e grande paisagista. As suas obras primam pelo simbolismo e idealismo que transmite. As  suas paisagens não são apenas belas, mas buscam expressar os sentimentos da contemplação da Natureza.

Apesar de nunca ter visto nenhum dos seus quadros a " vivo e a cores", o facto de as poder ver nem que seja em livros, ou num ecrã, conforta-me um pouco a alma. O meu quadro preferido deste autor chama-se " Woman im morning ligth". Para mim, um quadro muito intenso, em que as cores do horizonte se fundem com a mulher, como se esta tivesse em plena levitação.

 

Além deste, tem muitos outros marcantes, que podem fazer a nossa delícia:

 

 

Monastery Graveyard in the Snow, 1817

 

Eldena Ruin (1825)

 

 

The Abbey in the Oakwood (1808–10).

Caspar David Friedrich

 

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 16:57
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Mad Song

The wild winds weep
And the night is a-cold;
Come hither, Sleep,
And my griefs infold:
But lo! the morning peeps
Over the eastern steeps,
And the rustling birds of dawn
The earth do scorn.

Lo! to the vault
Of paved heaven,
With sorrow fraught
My notes are driven:
They strike the ear of night,
Make weep the eyes of day;
They make mad the roaring winds,
And with tempests play.

Like a fiend in a cloud,
With howling woe,
After night I do crowd,
And with night will go;
I turn my back to the east,
From whence comforts have increas'd;
For light doth seize my brain
With frantic pain.

 

William Blake

 

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 16:47
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Posters

 Durante as minhas "digressões" pela internet, encontrei um site  All posters (http://www.allposters.com).

 Posters que adquiri,que para mim têm significado, não só pela imagem, mas pelo que me lembram,e que me transportam pelo tempo...

 

 

 

 

 

 

 


Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 11:47
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meditações I

 

Do vasto leque de virtudes existentes, é a tolerância que proclamo e proponho a toda a humanidade. Não nego que estes princípios são vocacionados para o controlo do Homem, e também para o direcionamento dele num mundo em constante ameaça; não nego, mesmo que sejam princípios artificiais, que sejam realmente necessários para o apaziguamento da besta instintiva que é inerente e natural no Homem. Mas também se sabe que nos tempos que correm essas virtudes estão esquecidas, já que os média nos dão a conhecer um cenário miserável da humanidade, o que só posso deduzir que cada vez mais virtudes como a negação da maldade ou a negação do egoísmo estão a cair no esquecimento.
Mas porque apelo, verdadeiramente, à tolerância?
Depois de perceber que realmente A=A, princípio básico da identidade, percebi igualmente que o pensamento, as motivações, as emoções, as reacções, etc., são características irredutíveis e inerentes a cada indivíduo. O que significa que cada individuo pode ter consciência da sua autenticidade, como uma entidade única no cosmos. [Cada indivíduo pode ter consciência disso, mas não significa que tenha a consciência da sua autenticidade. Dizer que eu sou igual a mim mesmo é relativamente fácil; mas já não é tão fácil mostrar, ou fazer valer que realmente o seja. Depois, há outros indivíduos que não têm a consciência da sua autenticidade e nem sequer questionam-na. São meramente passivos na sua existência; e embora a existência possa ser uma luta, uma guerra, eles continuam a não ter a consciência da sua autenticidade, já que a sua identidade está projectada para outros níveis de pensamento e objectivos (não quero aqui insinuar qualquer tipo de superioridade intelectual)].
Portanto, fruto do meu percurso meditativo e filosófico, aprendi e desenvolvi a tolerância. Porque deixo que cada um possa discorrer o seu pensamento e as suas opiniões. Porque destas há muitas, e acredito que muitas até sejam interessantes. Todos somos diferentes, e todos temos direito ao livre pensamento (se for possível); mesmo quem pense que o pensamento não é livre, pelo menos pode-se imaginar de um modo mais ou menos personalizado. Porque haveria eu, assim, de censurar a opinião de alguém? Que critérios usaria? “Não foi assim que alguém disse que deveria ser pensado/dito/feito.” Não gosto de pensar dessa maneira, apesar de acreditar que a dita humanidade funciona desta maneira.
Isto da tolerância não é fácil porque todos temos crenças; todos temos convicções; e todos temos o desejo de algum modo transmitir essas inclinações, e se elas forem aceites ainda bem, e se for possível dominar alguém tanto melhor. Mas mais uma vez é assim que a maior parte da dita humanidade funciona – servos e soberanos. Porque isto da tolerância não é fácil, só prova que a sua aplicação não trás vantagens para a maior parte da dita humanidade. Senão, a humanidade não teria os graves problemas que tem. Por outro lado, que tolerância posso eu ter para com os “Senhores do mundo” quando eles sabem que mesmo ao lado dos seus castelos há pessoas a morrerem à fome? Porque já não me refiro à tolerância de cada indivíduo poder pensar e sentir o que bem entender; refiro-me à tolerância de indivíduos que assumem uma ideologia supostamente humanista e deviam coloca-la em prática; quando na verdade usam o poder como uma imposição, uma demarcação e uma soberania. Distinguem-se uns dos outros não pelo seu carácter de autenticidade/identidade mas pelo seu poder materialista. Isto não é humanismo.
Tolero as divergências existentes na identidade de cada um; nos costumes de cada povo; no pensamento de cada sistema ou mesmo uma ideologia, desde que do outro lado haja igualmente tolerância. Conseguem imaginar um mundo assim? Conseguem imaginar a humanidade? Como seria?
Toda esta meditação está consciente de que existe necessariamente um sistema social, de que existem regras e leis que são promulgadas para a orientação da humanidade. Mas, também está consciente dos horrores que podem haver pelo simples facto de haver uma interpretação (de algo) diferente de uma outra já existente, e essa simples e honesta diferença abrir as portas a uma guerra.
...
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 00:20
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009
"It's Music"

Na minha opinião Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal", traduz a verdadeira paixão pela música. O sincero despertar dos sentimentos e a lança da angústia enraivecida. Sem a música, a vida seria um erro.


"A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!
O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;
Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões
Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrível me exaspera!"

 

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 13:51
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
CAMEL - Ice

 

 

CAMEL é uma das bandas que me deixa sem palavras e catatónico. E mais nem digo...

Já Nietzsche dizia, e muito bem, que a música faz-nos perceber sentimentos que nunca antes conheciamos. Talvez assim, a realidade tal como a transformámos seja suportável.

...

Enfrento o abismo, e desfolho metáforas para a existência.

 

Victor Hugo



publicado por beneath_the_howling_stars às 20:44
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Destruição



Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

 

Carlos Drummond de Andrade

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 13:18
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Saravastî

Sempre me fascinou a mitologia. Tudo o que esteja relacionado com deuses, ou figuras mitológicas encanta-me, e chama a minha atenção. Sempre que posso tento saber mais sobre esta temática. Ultimamente tenho-me interessado pela mitologia hindu. Escolhi para hoje, relatar um pouco sobre a deusa hindus Saravastî ("Aquela que flui”).

Nos tempos védicos, o Sarasvatî era o rio mais poderoso e, às suas margens, formou-se o centro da civilização Indo-Sarasvati. Esse rio secou por volta de 1900 a.C., fazendo com que os povos védicos mudassem em massa para os vales férteis do Rio Ganges (Gangâ).
Com o mesmo nome do rio, a deusa Sarasvatî presidia o discurso, o cultivar da mente  e as belas-artes, como é sugerido pelos seus símbolos iconográficos tradicionais, que incluem um alaúde, um livro e um rosário.     

 

Helena Castro Martins

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 12:05
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
LIVRO: Trilogia que integra “A Idade de Ouro”, “A Fénix Exultante” e “A Grande Transcendência” de John C. Wright

 

Desde que peguei num livro de ficção-cientifica e li-o, nunca mais deixei de o fazer. O meu primeiro foi “Do Androids Dream With Electric Sheep?”, de Philip K. Dick, ou pegando no filme, o intrigante “Blade Runner”. A ficção-cientifica fornece-nos histórias fabulosas, que apesar de serem ricas na imaginação, elas conseguem abraçar as mais distintas áreas da ciência e das fragmentadas ciências humanas. Claro que dou por mim a devorar livros, porque todos eles apresentam-nos perspectivas filosóficas que intrigam o leitor e dão um dinamismo impressionante à história.
Nesta história desenvolvida por John C. Wright (vou tentar ao máximo não fornecer pistas da boa história desta trilogia, mas apenas apresentar partes cientificas e filosóficas que são verdadeiros ensaios em forma de romance), a humanidade, num futuro distante mas nem por isso impossível, desenvolve uma tecnologia que permite alcançar a imortalidade. Fascinante, à primeira reflexão, certo? Mas que movimento terá essa humanidade? Que horizontes terá essa humanidade na até então chamada Idade de Ouro? Porque a imortalidade (agora sou eu a reflectir, fruto da boa leitura que a história me proporcionou) pode muito bem ser a ausência de objectivos; porque a imortalidade pode ser o mesmo que a mesmidade [agora lembrei-me das Crónicas do Vampiro, histórias escritas pela Anne Rice, cujo herói, Lestat, é imortal mas também não possui o sopro da vida, não possui uma alma (alma sopro), e precisa de se alimentar com a alma dos outros (“o sangue é a vida”) para poder ser contemporâneo, para que possa mover-se no mundo em movimento, em devir]; porque a imortalidade pode ser a ausência de devir. São reflexões que deixo em aberto para quem tiver vontade de participar – da minha parte poderei reflectir sobre o tema e desenvolver artigos sobre esses temas.
Mas como é que essa humanidade, voltando à história de John C. Wright, alcança essa tão aclamada imortalidade? A tecnologia é tão avançada que permite traduzir matematicamente o númeno – sim, o que Kant disse que era impossível de ser conhecido é aqui a chave para a imortalidade. Porque o que será o númeno senão o código integrante de cada pessoa? Aqui jaz em toda a memória (consciente e inconsciente) do ser humano; são desenvolvidas, então unidades noéticas que possibilitam a leitura numenal de cada identidade. Consequentemente, tornou-se possível gravar a identidade de cada pessoa, duplica-la e reproduzi-la com tamanha precisão, que as diferenças entre a identidade primordial e a identidade segunda eram indetectáveis.
Outro aspecto que achei bastante interessante foi a capacidade extraordinária de cada identidade interpretar a realidade: de um modo kantiano, eles possuem estruturas conceptuais que moldam o real de maneira a que este seja perfeitamente claro para o sujeito; ou seja, que seja logicamente perfeito e que não fuja à normalidade pré-estabelecida pelo sistema conceptual – na história podem encontrar vários, como a Escola Senhorial Cinzento-Prata, ou a Escola de Composição de Neuroforma Tritónica. Por outro lado, cada identidade pode evocar e controlar a estética que mais se adequa à sua personalidade: ou seja, pode alterar a realidade subjectiva (não objectiva – complexo, não?) para que ela seja uma extensão da sua personalidade. Mas as outras identidades possuem filtros sensoriais que permitem traduzir essa estética subjectiva de acordo com os seus esquemas conceptuais.
A trilogia anda muito à volta destes aspectos, principalmente no primeiro que ditei: a imortalidade. Há muitos outros aspectos que são muito importantes, como os Sofotecs – máquinas desenvolvidas pelo homem e que são lógica pura, ou razão pura. Elas entendem a realidade na sua totalidade, entendem os fenómenos na sua totalidade e não como uma síntese; logo, têm uma perspectiva total dos acontecimentos, conseguindo dessa maneira adivinhar o futuro como se este fosse já determinado (tema igualmente interessante – então e o livre-arbítrio?).
Convido-vos, assim, a lerem esta fabulosa história que o meu amigo Bruno Freitas me deu a conhecer. Há muitos aspectos interessantes, desde a ciência passando pela ética, sistemas filosóficos, psicologia e estética... entre outros.
Fascinante.
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 15:24
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[sem título]

Red Night II Art Print by Robert J. Ford

 

 

Desce a noite. Sente-se a febre no corpo, a vontade de capturar outro. Rasgo a pele e evoco com sangue a besta. A besta... esse outro eu bem escondido que ruge durante o dia e solta-se pela noite. Sinto-me solto... livre da mascara que me prende a um tempo e espaço onde não pertenço. Deixo de ser contemporâneo e passo a ser um monstro; uma criatura que não é aceite pelos olhos mansos. Eu quero o risco de um corpo; quero a febre e o sangue; um corpo que afecte os nervos; quero violência; o sangue a escorrer; quero prazer e dor; quero tudo junto para que não deixe nada por sentir.
 
Ilustração: "Red Night II", by Robert J. Ford
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 00:06
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
Reconstruções desconexas

 

 

 

A minha existência não se configura com tabaco. A minha existência não chega a esse estado sublime de uma perspectiva alienada. Quando a realidade se torna insuportável não tenho tabaco à mão. O desconexo continua desconexo, e o sem sentido continua a não ter sentido. Quem fuma pode alterar estes estados de ânimo que deturpam os nossos esquemas conceptuais que moldam o real. Um cigarro pensativo... disse o outro. Eu diria um cigarro reconstrutivo.
 
Ilustração: Robert Wilson
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 15:16
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Os Livros Estão Sempre Sós

 

 

"Os livros estão sempre sós. Como nós. Sofrem o terrível impacto do presente. Como nós. Têm o dom de consolar, divertir, ferir, queimar. Como nós. Calam a sua fúria com a sua farsa. Como nós. Têm fachadas lisas ou não. Como nós. Formosas, delirantes, horrorosas. Como nós. Estão ali sendo entretanto. Como nós. No limiar do esquecimento. Como nós. Cheios de submissão ao serviço do impossível. Como nós. "

 Texto de Ana Hatherly, in 'Tisanas'

 



publicado por beneath_the_howling_stars às 08:58
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Incenso

 

 

 

Sempre que tenho oportunidade compro incenso, se possível indiano, visto serem os de minha preferência. 

Os indianos utilizam o incenso como forma de purificação. Estanto relacionado ao elemento ar, representa a percepção da consciência que (no ar) está presente em toda parte.

Num livro sobre fragâncias, encontrei alguns perfumes de incenso e seus significados, atribuídos pelos indianos:


Amor : Almíscar, Jasmim, Maça, Rosa, Lótus, Ópium, Sândalo, Patchoulli
Limpeza : Alecrim, Arruda, Eucalipto, Canela, Cravo
Espiritualidade :Mirra, Violeta, Rosa
Meditação: Violeta, Mirra, Rosa, Verbana
Acalmar: Alecrim, Alfazema, Flor de Maça, Jasmim
Estudos: Alfazema, lótus, Jasmim, Rosa
Energizar : Canela, Eucalípto, Cravo

 

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 08:48
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009
Envelhecer

“Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o significado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer... Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal... e isso é precisamente a velhice.”
 
Sándor Márai, in “As Velas Ardem Até ao Fim”
Fotografia: Bruno Tomaz Gomes da Costa, in "Olhares"
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 11:48
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009
Amo cinema!

Hoje num surto de inspiração, juntei algumas imagens de alguns dos filmes que muito significado tiveram e têm para mim:

 

- Requiem for a Dream, do realizador Darren Aronofsky;

 

- Goodfather, de autoria de Mario puzo, e realizado por Francis Ford Coppola;

 

- Taxi Driver, realizado por Martin Scorsese;

 

- One Flew Over the Cuckoo's Nest , realizado por Milos Forman;

 

- Psycho, realizado por Alfred Hitchcock;

 

-The Seventh Seal, realizado por Ingmar Bergman;

 

-City Lights, realizado por  Charles Chaplin;

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 21:35
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Lori Early

 

 A vaguear pela internet encontrei um site de uma pintora nova iorquina, Lori Early, que na minha opinião merece atenção.

Os quadros são pintados a óleo e emoldurados a preto. Acho o trabalho dela muito forte, audaz, dramático e misterioso. Usa exclusivamente a imagem feminina, realçando o olhar de uma maneira impressionante.

 Certamente teria uma melhor percepção, se pudesse vê-los bem de perto, e não num monitor. Talvez um dia…

 

 

Endereço do site: http://www.loriearley.com

Helena Castro Martins



publicado por beneath_the_howling_stars às 14:02
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Narcóticos e Lucidez

A insatisfação faz de nós - o Homem – entidades que procuram sempre o consolo de algo que os sustente juntamente com algo que os satisfaça. A satisfação do desejo, do querer, é um copo de água com a base furada. O “ir”, o avanço, é um passo certeiro. O nosso querer faz o método, faz as regras e as leis... porque o querer, o desejo, é instintivo; logo, é selvagem e louco, cuja base é inteiramente irracional. Calcetamos um chão metafísico, para que nele ergamos os pilares que sustentam a existência do Homem. Desde a metafísica que sofremos a transformação existencial, e de espíritos dispersos passámos a ser espíritos treinados, educados, encaminhados, sustentados não pelo visível, mas pelo invisível! Porque é no invisível que o até então nomeado Homem encontra o seu horizonte. Esse horizonte, salpicado por pitadas de desejo, é uma ficção, uma paranóia camuflada de razão e norma. Onde cabe o irracional? O que é isso de irracional? Este pode ser definido em contraste com o racional, mas essa definição leva-nos a colocar o irracional no campo da racionalidade, porque ao estarmos a definir já estamos a identificar algo, a usar premissas e argumentos para algo que não tem premissas. Mas contudo tem uma identidade. A identidade do irracional foi esquecida; está presa nos pilares metafísicos que suportam a vida humana. Não sabemos ao certo o que é... nem sabemos como a evocar - talvez em parte seja possível narcotizar o espírito, e nesses estados rápidos, fugazes, consigamo-nos lembrar e sentir o êxtase e prazer da liberdade.

 

Victor Hugo



publicado por beneath_the_howling_stars às 12:40
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
" The Forest Whisper my Name"

Ouvi pelo primeira vez a música" The Forest Whisper my Name" com 13 anos. A música dos Cradle foi-me apresentada pelo meu irmão, e desde aí partilhamos um verdadeiro encanto pelo album da qual esta música faz parte,"The Principle of Evil Made Flesh" .
Na minha opinião, é um album que apesar da sonoridade crua,  estimula o perverso que existe em nós.



"Black candles dance to an overture
but I am drawn past their flickering lure
to the breathing forest that surrounds the room
where the vigilant trees push out of the womb

I sip the blood-red wine
my thoughts weigh heavy with the burden of time
from knowledge drunk from the fountain of life
from Chaos born out of love and the scythe
the forest beckons with her nocturnal call
to pull me close amid the baying of wolves
where the bindings of christ are down-trodden with scorn
in the dark, odiferous earth

We embrace like two lovers at death
a monument to the trapping of breath
as restriction is bled from the veins of my neck
to drop roses on my marbled breast
I lust for the wind and the flurry of leaves
and the perfume of flesh on the murderous breeze
to learn from the dark and the voices between

This is my will...

The forest whispers my name...again and again

I walk the path
to the land of the Dark Immortals
Where the hungry ones will carry my soul
as the wild hunt careers through the boughs

Come to me, my Pale Enchantress
In the moon of the woods we kiss

Artemis be near me
in the arms of the ancient oak
where daylight hangs by a lunar noose
and the horned, hidden one is re-invoked

The principle of Evil
evolution has been recalled
Beneath the spread of a Magickal Aeon
I stand enthralled
...In the whispering forest

"Pale, beyond porch and portal,
crowned with leaves, she stands,
who gathers all things mortal,
with cold immortal hands,
her languid lips are sweeter,
than love's who fears to greet her,
to men that mix and meet her,
from many times and lands."

 

 

Helena



publicado por beneath_the_howling_stars às 20:16
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Beneath The Howling Stars: o Blog

 

O porquê este blog? Que te poderá ele trazer? As suas palavras ocuparão a tua mente?
 Ninguém faz um blog para si. Faz -se um blog para permitir que as nossas palavras voem, que impregnem a alma, é dar um pouco da nossa paixão, da nossa loucura, do nosso desejo.
Sou um ser emocional, que se sente livre quando escreve. Para mim as palavras são como dois corpos que se entrelaçam num mesmo gesto de amor, corpos que viajam por um mundo em que o limite ficou à porta. 
Quando escrevo vivo. Nestes momentos, o que se encontra no recanto mais profundo da minha alma tem oportunidade de respirar.
Quando a minha alma se amargou, se ressentiu, era a música e as folhas de papel, que afagavam as minhas lágrimas.
 Espero que o que irei escrever, acalente um pouco o vosso espírito, que vos delicie, que vos faça atrever, que vos faça sentir que estão num céu de algodão doce.
            A ideia de fazer este blog, foi de alguém inigualavelmente encantadora, que me fez transpor todos os meus limites, que me fez ter vontade de procurar no recanto mais profundo da minha alma.
 Faz-me acreditar no para além, do mundo de possibilidades, do mundo que nos toca, que nos extasia.
Acompanha-me silenciosamente nos passos que dou, e faz-me amar intensamente as pequenas coisas, um mágico que me aproxima todos os dias do sonho.
A empatia e cumplicidade que nos une, faz-me acreditar que o limite ficou preso no passado.
Dedico este blog, ao meu querido amigo Victor, que tem tornado a minha vida uma porta sempre aberta para a maior magia, que um comum mortal alguma vez poderá usufruir, a cumplicidade.
 
Helena Castro Martins


publicado por beneath_the_howling_stars às 17:14
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Apresentação e Propósitos

 

“Porquê mais um blog?” – pergunto eu e muito provavelmente perguntarão os leitores convidados, e os leitores que na sua sorte encalharam neste espaço.
Porque isto da blogosfera tem os seus prós e contras: se por um lado quase todas as pessoas têm a possibilidade de publicarem o que bem entenderem, por outro lado o nível de interesse e credibilidade diminui consideravelmente. Por isso, nunca tive grande êxito com os blogs, e o meu interesse não se estende mais além dos espaços dos amigos. Porque a oferta é tanta, a dispersão torna-se proporcional; portanto, e para bem da minha sanidade critica, limito o meu interesse aos blogs dos amigos e conhecidos.
Então, porquê, da minha parte, a ideia de um espaço deste tipo?
Há uns tempos que escrevo. Com altos e baixos, pausas e crises. Há uns tempos provei esse encanto (porque pode ser mesmo um encantamento), e iniciei a minha dispersão simbólica num mundo que primariamente se estava a tornar estranho ao meu entendimento; e se por um lado era estranho, por outro tornava-se encantador, como se ele me chamasse, e como se por ele eu discorresse pelas torrentes de palavras, símbolos e metáforas. Consequentemente, depois de traduzir paixões em imagens e evocar paisagens e mitos, enveredei na descoberta do Ser – não da verdade, mas sim do Ser. Esta opção pela filosofia nunca esteve dissociada das paixões, e por isso aposto na concordância das paixões com a mesura da razão – não há nenhuma dicotomia.
Surge uma primeira questão: Como poderá o Homem cuidar da sua lucidez? Como pode ele encontrar essa linha ténue que junta a paixão com a razão? Assim, para que a minha lucidez – sublinho “a minha” – e a minha identidade não fossem ocultadas pela cegueira que o sistema permite desenvolver, é-me necessário criar um espaço de meditação onde me encontre – um espaço onde uma alquimia essencial se dá: a unidade da paixão com a razão. Poderá haver criação; e neste caso a criação que surge de mim pode ser considerada arte em forma de texto. E embora esteja limitado a um sistema de códigos e regras para me traduzir, tenho consciência que pode ser útil, desde que saiba utiliza-lo com estilo e dedicação.
Portanto, posso adiantar que uma primeira resposta para a criação deste espaço está associada à minha vontade de criar, já que por essa criação inteiramente associada à meditação e contemplação, permite descobrir-me e igualmente discorrer pelo cosmos – não sei se posso entende-lo, mas pelo menos discorro.
Outra questão: “Mas então, porque não te limitas com esse cuidado na tua privacidade?” – perguntará alguém. Bom, realmente porque é que me meti nisto, já que este espaço não é a causa da minha vontade de criar? Há uns tempos atrás, devido a certos acontecimentos na minha vida, ganhei uma vontade tremenda de criar e partilhar; quero criações, não só minhas mas também de outras pessoas. Quero muito tornar real um espaço onde seja possível a publicação de textos, poesia, filosofia e arte. É isso mesmo. Este espaço não será exclusividade dos seus evocadores, já que estão abertas as portas para a vossa participação. E porque não pretendo que essa participação se limite aos comentários, sugiro que os convidados e leitores enviem as suas propostas para o e-mail do blog; não só propostas originais, como sinopses de livros e música, ou mesmo a passagem de algum texto que gostem, ou mesmo ainda a divulgação de outra obra de arte - [o Roberto deve lembrar-se das conversas de café sobre ficção-cientifica e outras histórias; o Luís “Red Vespa” não pode esquecer da sua arte fotográfica e dos seus conhecimentos científicos; tal como o Bruno participa desse conhecimento e do gosto pela literatura; o Emídio pode mostrar a sua arte no design e no desenho; apelo à poesia e filosofia do meu amigo Hugo; igualmente apelo ao espírito da Catarina e também ao do Miguel, da Xana e da Luciana; a Micaela não pode ficar para trás (coragem); e o pensamento da Andreia é curioso; o Manu pode apresentar o seu trabalho no campo da música, ou outros; e o jazz da Lisandra é especial (nunca me esqueço daquela tua musica); e a minha querida Cláudia pode dispor da inspiração das musas (são poucas as tuas palavras, mas a paisagem é imensa); – estão convocados.]
Desta forma publicaremos as vossas propostas, devidamente identificadas (o nome que derem com a proposta) e com os nossos agradecimentos. Porque isto da blogosfera pode ser bastante desolador, é esta a proposta e desafio que proponho tanto a mim como a vocês, leitores, pensadores, artistas e cientistas. Desta forma acredito que a união de intelectos só pode ser benéfica; acredito que a abertura aos vários pontos de vista e opiniões só pode enriquecer um espaço que pretende apoiar essa mesma abertura. Desta forma acredito neste espaço, que muito para além de ter sido evocado por duas pessoas, ele deve ser alimentado por várias.
Por último, vou começar pelo início já que esta apresentação começou pelo fim.
Ouvia a música “Beneath The Howling Stars”, dos Cradle Of Filth, quando num momento assombroso, carregado de melodia, movimento e lirismo, imaginei uma dança: sugestiva, erótica, devaneante e louca. Imaginei a união sob o sussurro das estrelas, como se a entrega fosse derivada do efeito desse sussurro qual fonte de inspiração e criação. A envolvência que imagino e a evocação do erótico tem mais que ver com a entrega e exploração instintiva do que com a sensualidade (embora não a exclua) muitas vezes associada ao Eros.
Nesse tempo (há uns bons meses) um véu negro cobria o meu espírito, e a minha identidade estava abalada e sofrida devido às fatalidades da vida. Até que conheci a Helena, e ela, com a sua arte e as suas palavras fez-me renascer onde tinha “morrido”; o meu interesse e inspiração voltaram, aos poucos, em passos curtos mas persistentes. A partilha de textos, de música e outras artes foram um tónico para a minha sustentabilidade espiritual; estamos sempre a aprender, e mesmo com fatalidades na vida, aprendi, com essa partilha e cumplicidade, que são com essas fatalidades que crescemos. Aos poucos e poucos caminhava para este propósito. E agora tudo se está a tornar possível, e este texto introdutório, e também convocatório, é honroso, já que dedico este espaço não só à Helena, mas a todos os amigos e amigas que me apoiaram neste renascimento.
Estamos todos no mesmo mundo.
Felicidades e prosperidade.
 
Victor Hugo


publicado por beneath_the_howling_stars às 17:02
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