Acerca deste livro creio que pouco vou escrever.
Irei antes escrever sobre o que ele me fez sentir e pensar, embora não saiba bem como iniciar.
Gostava de iniciar com o quantificador universal “todos”, mas não o irei usar porque é demasiado falso para valorizar a próxima reflexão.
Várias vezes sou remetido para uma torrente de memórias; memórias que me afastam do tempo presente e tapam o meu olhar contemporâneo sobre o mundo. Elas surgem na minha vida rotineira e fazem-me pensar sobre o que sou aqui e agora, o que fui e o que poderei vir a ser. Essas memórias não são do tempo presente, mas antes de um tempo remoto… distante. São flashes de momentos inocentes, infantis, belos, livres, felizes, também tristes mas sempre com um aroma e cor que caracterizou essa tristeza – tudo era belo e o mundo, pequeno para mim, era um universo a descobrir. Esses momentos, todo aquele tempo passado, foi vivido com uma intensidade que agora não é fácil de faze-la renascer. Essa intensidade parece que foi desmoronando-se à medida que o crescimento se impunha, e à medida que a vida se torna em função de algo que não é a vida. Deixamos de ser crianças e passamos a ser adultos (crianças, adultos, idosos, velhos – já pensaram em toda a carga etimológica que esta escala pode ter, e de como vivemos e pensamos a existência nesta escala? Terá isto tudo que ver com a nossa identidade? Não aquela identidade predicativa, mas a do Ser), passamos a pertencer a uma sociedade toda ela esquematizada e previamente mecanizada e que tem o preciosismo de afirmar “aqui és feliz”, quando, se repararmos bem, os “Srs. do Mundo” não têm mão nos acontecimentos atrozes que surgem no “seu mundo”; além disso, todos eles, os chamados de políticos, administradores e empresários e afins, modelos fundamentais para o funcionamento da máquina, são os corruptos, castigadores, punidores, organizadores de guerras e influenciadores – são eles próprios que turvam o mundo… e depois não têm mão nele. Tudo por causa de uma pitada de poder.
“Aqui és feliz! Neste mundo criado por Todos nós.”
Dou por mim a desejar regredir para o passado de cada vez que sou assolado por aquelas memórias que me fazem recordar um tempo sem política, sem cifrões e sem poder. É o tempo do início do rio…
O rio é a metáfora viva da vida pura; é a imagem de um tempo sem brevidade, cujo ritmo é conduzido pelo fluir sem pressa da água que “corre” num percurso que se vai moldando e transformando. Como posso regressar à nascente deste rio, se a minha fatalidade é seguir o seu caudal até à imensidão…? Creio que esse regresso esteja encerrado na arte de escapar à realidade na qual fomos “encaixados e moldados”. E escapar não é fácil porque a nossa vida está fortemente sistematizada pela rede que Todos nós ajudámos a tecer.
O regresso pode ser um acto solitário, ou mesmo um acto secreto, porque vai exigir a descoberta da nossa identidade (não a jurídica) e uma grande proximidade do Ser. Exige-se uma descoberta porque o Ser foi esquecido. O caminhar e o fluir abrupto como o rio, é o consequente distanciamento da nascente e da origem, e o fatal esquecimento do eu causado pela torrente social e sistemática. Passamos a ser “tudo” para deixarmos de ser “uno”.
O Mundo é um colosso de informação. Toda ela entra nas nossas vidas sem conseguirmos controlar de um modo preciso o que “consumimos”. Somos como que narcotizados pelo excesso de mundo que derruba o nosso eu.
O regresso como um acto solitário poderá permitir sentir o leve ruído e frescura da nascente do rio. É a capacidade de “virar as costas” ao excesso de mundo e enfrentar o Ser.
Victor

Gosto de Fotografia. Para mim é a necessidade de manter o contacto e a proximidade. É desejar que o vínculo, com aquele lugar ou aquela pessoa persista.
Na fotografia está presente a ausência, a lembrança, e rapidamente com um vislumbre recordar e viver.
A fotografia é viva, tem carne e alma. A foto faz reviver o passado, com a vontade de um novo presente.

Ajuda-nos a transpor o tempo, visualizando as transformações existentes no agora.
Guardo nas minhas fotos os instantes que me parecem mais valiosos, ajuda-me a combater o esquecimento, que a memória por vezes nos nega a recordar.
Sinto-me viva a fotografar, faço-o para me certificar que aqueles momentos não terminam aí, mas permanecem nas fotos, e não serão esquecidos, nem que seja só por mim.
Dedicado a Victor Hugo.
Helena Castro Martins
Nota: Fotografias da minha autoria.

Gueixa são mulheres japonesas que estudam a tradição milenar da arte da sedução, dança e canto, e caracterizam-se pelos trajes e maquilhagem tradicionais.

No Japão a condição de Gueixa é cultural, simbólica, e repleta de status, delicadeza e tradição.
Uma gueixa é uma mulher treinada na arte da música, da dança e do entretenimento. Passa anos a aprender a tocar diversos instrumentos musicais, dançar e ser a anfitriã perfeita e confidente dos seus hóspedes.
A maquilhagem, o cabelo, o vestuário e os modos de uma gueixa são calculados para satisfazer a fantasia masculina da perfeição feminina.

Uma verdadeira gueixa é bem sucedida porque reflecte a ideia de uma perfeição inatingível. Quando os homens contratam gueixas para animar uma festa, o assunto sexo normalmente não está relacionado. A gueixa entretém por intermédio do canto, música, dança, relato de histórias e atenção.

Actualmente, as jovens escolhem ser gueixas da mesma forma como escolhem ser médicas. Elas normalmente começam o rigoroso treino depois do ensino fundamental. Mas, apenas as mais dedicadas chegam ao status de gueixa.
Fotos retiradas do site:
www.phototravels.net/
Helena Castro Martins
René Magritte, é um dos meus pintores favoritos. É o Pintor das imagens insólitas, um ilusionista, podendo mesmo afirmar que as suas obras são metáforas que me transportam para a " inexistência de limite" e o "desconhecido". Aqui ficam algumas das suas obras, que para mim, são "superb":
The Lovers
La chateau des Pyrenees
Le Mal Du Pays
Helena Castro Martins
[Para alguns leiores o texto que seguirá não será novidade porque identificarão logo como um e-mail dos meus. Aproveito estas linhas para pedir desculpa pela falta de actualização deste espaço; mas por vezes a vida não é como planeamos - e se calhar ainda bem! Felizmente a vida não me corre mal, embora não seja um sonho. Mas entrei há alguns meses no mundo do trabalho, e desde então sofri algumas alterações na minha rotina, e dou por mim a não ter aquele espaço, tempo e áureas necessárias para meditar e escrever. Mas sinto que devagarinho chegarei lá; sinto que estou a caminhar para lá com passos curtos mas certos (embora alguma misantropia me esteja a acariciar o espirito e a individualidade (ehhe)). Tenho lido muito como se não houvesse amanhã. Contudo, não pensem que leio rápido. Não! Eu leio devagar e com prazer; rumino cada palavra; porque quero sentir tudo. E já comecei a escrever um textinho sobre um livro que li e gostei do que senti e do que pensei... mas sobre isso terão de esperar. Para já fiquem com o que reservei para vocês.]
Nesta noite comecei por calmamente ler a LOUD! # 103 (ainda!), e dou por mim a ler uma critica a um albúm best of de uma banda de Doom Metal com o interessante nome OFFICIUM TRISTE. Lembrei-me logo de uma música deles que me chamou muito atenção: "Your Eyes". Para quem não conhece e gosta de Doom, aconselho a audição com espirito aberto. Rápidamente fui procurar a música e revivi todos os momentos que senti e pensei durante o tempo que descobri essa música.
Passadas algumas re-audições, a música dos OFFICIUM TRISTE fez-me lembrar a mais bonita música Doom/Gothic que já tive oportunidade de ouvir. Tive a felicidade de estar bem feliz nessa altura da minha vida (ehhe)... é a "She Dies" dos DRACONIAN.
www.esnips.com/doc/f734328a-06b5-4aa3-a9
Era Inverno... o frio sentia-se e via-se nas belas paisagens que tive oportunidade de contemplar ao som desta melodia. As minhas manhãs eram saudadas com esta música, com sorrisos e aconchego. Saía de casa a ouvir este som e caminhava por jardins, tal era a poesia que sentia, pois os cheiros e as cores eram-me muito intensos. Lembro-me que nesse tempo, em Novembro, fui para Sintra e vaguei por lá com a minha amiga Andreia e falei-lhe desta música, que por sinal já a tinha enviado - foi um dia maravilhoso que ainda hoje não tive igual... ela... ambos sabemos porquê.
Escrevi... e senti-me inspirado e calmo como há muito não me tinha sentido: textos sobre um livro fabuloso: "O Mundo de Zero-A", de A. E. Van Vogt; e escrevi sobre filosofia - nesse tempo meditava sobre o Ser e os predicados.
Lembro-me que já nesse tempo tinha começado a descobrir o pensamento oriental e a descobrir coisas interessantes como ritmo - o controlo do ritmo espiritual e corporal: coisas muito importantes para a minha vida.
Lembro-me dos meus passeios. Deambulava pelo Porto depois das aulas e frequentava alguns cafés que adorava, como o Café Convivio, e o lindissimo Rosa Escura onde li parte do livro "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde (livro que irei reler), gentilmente oferecido pela minha amiga Micaela.
Lembro-me das aulas de Ontologia (sim, por incrivel que possa parecer, o meu dia era de tal maneira assombrado por esta música, que até uma aula de Ontologia com o Adélio tinha como background no meu espirito esta música). Lembro-me também que nesse tempo comecei a interessar-me pela temática do inconsciente, e frequentava muito a biblioteca para ler Freud e Yung.
Foi, sem dúvida, uma música que me fez abrir visões e horizontes. E embora a música seja Doom, não significa que fique triste ou zangado com o mundo. Não! Rasgo um sorriso sincero, sinal de que vivi e aceitei tudo o que a vida teve para dar - fosse bom ou fosse mau.
É incrível como uma música consegue encerrar tantas memórias, embora estas palavras sejam apenas traduções de tudo o que senti e vivi.
Bom Inverno.
VICTOR
SHE DIES
The cold wind blew into my life, my adored.
A bleeding heart we share, now on Azrael’s wings.
I fall like autumn rain...
You are my everything.
This lovelorn kiss of death in lugubrious silence
Dawn breaks open like a wound... and the dreadful sun
Two souls entwined together,
Still so alone.
Both you and I are shattered
And frozen in stone.
You begged for air from within this cold tomb with pain sharp as a knife
I now lie resting like a child on thy womb, gave back a part of my life.
For a while it had disappeared, but nothing was changed.
A haze fell forever with her fading life.
I leaned my head back... then drank of opaline.
The emerald goddess came to me... she craved my soul
And just for a while... I had forgotten.
Yes, it was all forgotten, but nothing was changed.
Suddenly a cold breeze blew across our room...
I felt like I wanted to leave... this world with her.
Come; drink with me the divine nectar of Olympus!
Sit beside me and help defy our adversity and loss...
This adversity and loss. It all ends with you!
I kiss you in your dying breath; sleeping quietly now.
Swept away by heavy eyelids; forever in my dreams...
And you will be safe in my dearest dreams...
My love... forever in my dearest dreams.

Um Filme simplesmente genial, que aconselho a todos os que poderem, para o verem, com toda a receptividade e atenção que o autor do filme Park Chan-uk merece.

Em 1991, Lee Geum-ja (Lee), uma estudante de 19 anos, é condenada pelo rapto e homicídio de uma criança de cinco anos, num caso que emocionou a nação, com direito a cobertura intensa pelos meios de comunicação.

É libertada da prisão depois de cumprir uma pena de 13 anos. Durante esse período, abraça a religião e as suas acções em prol das outras prisioneiras, sacrificando o seu tempo e algo mais, com uma dedicação inabalável, valem-lhe o epíteto de "Simpática Ms. Geumja". Em 2004, sai da prisão com um plano para executar e um objectivo claro e bem definido: a vingança.

«Sympathy for Lady Vengeance» assinala o encerrar da chamada “Trilogia da Vingança” de Park Chan-uk, seguindo-se a «Oldboy» (2003) e a «Sympathy for Mr. Vengeance» (2002).

Sob um mesmo mote, Park criou um trio de thrillers apelativos, com uma fulgurante componente estética e um notável equilíbrio entre o design visual e a utilização do som e da música, sugerindo um perfeito controle do realizador sobre toda a extensão dos processos artísticos aplicados a cada componente da obra cinematográfica.

Com a chegada da «Lady Vengeance», o protagonista parece deter o controlo pleno da situação. A retribuição não pode deixar de redundar na violência e no derrame de sangue, mas na mente do executor não está a aplicação cega de um castigo definitivo, tanto quanto a realização de justiça, paralela a uma necessidade de redenção, devido ao extenso rol de pecados cometidos ao longo do caminho.

Na prisão, Geum-ja invoca o anjo que descobriu em si. A complexidade da personagem de Geum-ja torna difícil determinar onde termina a influência da religião na sua psique e onde começa o seu controle sobre esse e outros elementos que a circundam. O que parece claro é que no dia que sai da prisão, pelo modo como cumprimenta o seu pastor, a religião é a última das suas preocupações.

É seguro dizer que o seu objectivo se converte na sua religião. Vemo-la a acender velas junto a um peculiar altar, constituído por dois cartazes: o que anuncia o desaparecimento da criança e o retrato-robot do suspeito do rapto. As suas rezas, os seus sonhos, não incluem Jesus ou Buda, mas um homem a ser abatido (literalmente) como um cão.

O domínio da linguagem cinematográfica por parte de Park Chan-uk atinge em «Sympathy for Lady Vengeance» um nível notável; o refinado design de produção e a cuidada composição estão ao serviço dos temas e da simbologia que trespassa todo o filme, assente, sobretudo, na utilização das cores brancas e vermelho, algo que se inicia logo com os créditos iniciais.

O branco representa a pureza e a redenção; o vermelho o pecado, o crime e a violência (mas também a sedução). Essa representação surge no vestuário, na maquilhagem, em comida (tofu e doçaria) ou até através dos elementos atmosféricos, como por exemplo a neve.

A corrupção da pureza manifesta-se visivelmente na imagem de sangue na neve, mas mesmo um bolo de morango demonstra que Park está atento aos pormenores. E, logo no início do filme, Geum-ja é recebida, ao sair da prisão, por um coro de pais natais, com o característico traje vermelho e branco.

Park emprega, de forma exímia, mecanismos de quebra da continuidade cronológica, construindo uma sequência introdutória forte e dinâmica, onde se mostra um conjunto de eventos que se compreenderão apenas nos minutos seguintes.

O poder da imagem (gasta, manipulada), a câmara, que se diria possuída, e a utilização da música seduzem e prendem a nossa atenção para as próximas duas horas. Mais perto do final, há outro momento em que os flashforwards são empregues de forma habilidosa, reforçando o drama e a confusão que assola a mente das personagens.

O agente vingador do terceiro filme já não se deixa dominar pelo desespero ou pela urgência no cumprimento do acto. Toma o seu tempo, pondera. A motivação já não é a vingança pura, irracional, mas o peso de uma culpa que acabará ainda por aumentar exponencialmente — como que uma afirmação de que as personagens não estão meramente ao serviço do argumento; surgem imprevistos e a necessidade de adaptação a novos cenários.

Há também um retorcido e violento altruísmo, por parte de alguém que lamenta os seus pecados e o facto de ter usado outros para os seus fins. Um dos maiores contrastes do filme é a abnegação ser mais “chocante” do que “comovente” — ou, por outro prisma, se acaba por ser também comovente é por força do choque.

Park Chan-uk não deixa de manter humor e espírito ao longo da narrativa, como a referência, na televisão, ao oportunista que se prepara para adaptar a história de Geum-ja ao cinema, ou uma consulta a um dicionário de inglês-coreano onde a primeira palavra exposta é “ellipsis”.

O DVD de «Sympathy for Lady Vengeance» permite visionar o filme numa versão alternativa em que, a partir de determinado momento da narrativa, a cor começa a desaparecer até chegar ao preto e branco.

A diferença entre as duas versões é unicamente essa variação cromática, que constitui um modesto "efeito" visual, por comparação com a sofisticação estética que trespassa o filme. A opção reforça a utilização da cor como elemento simbólico, mas confesso que, ao rever o filme na versão de cinema, não senti falta do preto e branco.

Se caminhasses num terreno plano, se tivesses a boa vontade de caminhar e desses apesar disso passos à rectaguarda, então tratar-se-ia de um caso desesperado; mas como sobes um pendor tão escarpado como tu próprio visto de baixo, os passos para trás só podem ser provocados pela natureza do terreno e não tens que desesperar.
Franz Kafka, in "Meditações"

1) Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.
2) A sensibilidade é pessoal e intransmissível.
3) Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitando nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.
4) Este trabalho intelectual tem dois tempos: a) a intelectualização directa e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmissível (é isto que vulgarmente se chama "inspiração", quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos que reduzam a sensação à frase intelectual (prim. versão: tirem da sensação o que não pode ser sensível aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, reforçam o que lhes pode ser sensível); b) a reflexão crítica sobre essa intelectualização, que sujeita o produto artístico elaborado pela "inspiração" a um processo inteiramente objectivo — construção, ou ordem lógica, ou simplesmente conceito de escola ou corrente.
5) Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte de raciocinar. Simplesmente, do trabalho de intelectualização, em cuja operação consiste a obra de arte como coisa, não só pensada, mas feita, resultam dois tipos de artista: a) o inspirado ou espontâneo, em quem o reflexo crítico é fraco ou nulo, o que não quer dizer nada quanto ao valor da obra; b) o reflexivo e crítico, que elabora, por necessidade orgânica, o já elaborado.
Dir-lhe-ei, e estou certo que concordará comigo, que nada há mais raro neste mundo que um artista espontâneo — isto é, um homem que intelectualiza a sua sensibilidade só o bastante para ela ser aceitável pela sensibilidade alheia; que não critica o que faz, que não submete o que faz a um conceito exterior de escola ou de moda, ou de "maneira", não de ser, mas de "dever ser".
Fernando Pessoa, in 'Carta a Miguel Torga, 1930'
Desta vez deixo uma musica que compus em Lisboa, quando eu e o meu amigo Hugo (Tenebrarum) divertiamo-nos a fazer uma musicas - bons tempos que espero ansiosamente repeti-los.
A musica foi tocada num teclado midi numa tarde qualquer de Inverno; e a letra foi retirida dum texto que já tinha escrito há algum tempo. Esta encaixa perfeitamente no contexto conceptual da história que criámos à volta das músicas. De resto, deixo a vocês o gosto e apreciação.

VÉU
Quero rasgar o vestido da Noite e foder com ela
O violino mistura-se com os meus gestos ilusórios
E as vozes cercam a minha cabeça
Perco-me numa quimera sinfonia erótica
Vermelho com Preto
E o meu desejo
Quero aquela essência e espumar de loucura
Quero a Noite só para mim
Viola-la e acaricia-la
Leva-la por aí...
Numa floresta qualquer
www.esnips.com/doc/8f47f6b5-d482-4202-8d
[como não consigo colocar a música em flash, podem ouvi-la clicando no link em cima]
Música e letra: Victor
Imagem: ???
Agradecimentos: Hugo (Tenebrarum)
Victor Hugo

Invoking the Unclean (demo) (1992)

The Black Goddess Rises (demo) (1992)
Orgiastic Pleasures (demo) (1992)

A Pungent and Sexual Miasma (split with Malediction)

Total Fucking Darkness (demo) (1993)

The Principle of Evil Made Flesh (1994)

Imagens





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Vempire or Dark Faerytales in Phallustein (1996)


Dusk and Her Embrace (1996)

Imagens












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Cruelty and the Beast (1998)

Imagens

Line up






Midian (2000)
Damnation and a Day (2003)
Nymphetamine (2004)
Thornography (2006)
Helena Castro Martins
Algumas fotografias tiradas , numas merecidas férias:






que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos
que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens
e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso
E. E. Cummings, in "livrodepoemas"
Borobodur é o maior monumento budista do mundo. Situa-se na parte central da ilha de Java, aproximadamente a 40 km ao noroeste da cidade de Yogyakarta, um dos centros de cultura javanesa tradicional.
Actualmente é a atracção turística mais popular da Indonésia. Foi construído no século VIII, originalmente como um templo hinduísta.
Com o advento do islamismo à ilha de Java, foi abandonado e envolvido, com o passar dos anos, pela selva até a sua redescoberta em 1814 por colonos ingleses. A Unesco promoveu um programa para sua reconstrução e recuperação que findou em 1983.
A história deste monumento ainda não está totalmente esclarecida. Os cientistas que estudam a antiguidade da Indonésia, frequentemente deparam-se com gravuras em pedras, de difícil solução. Por isso não é possível saber precisamente o ano de início de sua construção e nem o de término.
Helena Castro Martins
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Pepé Le Pew é uma figura de ficção que já ganhou um Academy Award.
É uma figura de ficção criada pela Warner Bros, e foi introduzida pela primeira vez na televisão em 1945.
Uma doninha que vagueia pela cidade de Paris, na Primavera e está constantemente à procura do "l'amour".
No entanto tem três desvantagens que o marcam: têm um cheiro horrível, tem uma personalidade que têm uma mistura de agressividade e paixão em demasia e não sabe aceitar uma recusa.
As histórias de Pepé Le Pew envolvem tipicamente a procura incessante de uma doninha para partilhar o seu amor.

Porém, invariavelmente a suposta doninha fêmea que tanto deseja é uma gata preta, chamada Penélope, que tem pintada uma risca nas costas devido a um acidente com tintas.
Normalmente, Penélope foge incessantemente de Pepé, por causa do seu odor ou por ser demasiado agressivo na forma como demonstra o seu amor.
Porém, algumas vezes Penélope mostra ter algum sentimento amoroso por Pepé.
Uns desenhos animados maravilhosos, que me fazem lembrar muito o tempo, em que ao fim de semana, em criança acordava bem cedo para ir ver os desenhos animados.
Recordar é viver!
Helena Castro Martins
A Fotografia é silêncio.
Provocante e condutora de um infinito de discursos.
Encontra-se a ausência, a lembrança, a separação.
É um prazer.
É uma imitação de algo que existe.
É uma necessidade de proximidade.
É querer prolongar o contacto,
Não deixar morrer o desejo.
A fotografia é o momento, do momento que não podemos esquecer.
Helena Castro Martins
8 de Maio de 2009
Nota: O meu querido amigo Victor, partilha comigo o gosto pela fotografia. Aproveito para apelar para que ele coloque neste blog, algumas fotografias tiradas por ele, que me trouxeram uma pitada de lembrança, de sonho, de poesia.

Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.
Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas nos veremos
seja no claro céu ou turvo inferno.
Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...
Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados competentemente
(paixões de primeira e de segunda classe).
Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Brejo das Almas'
Imagem da minha autoria, que pode ser encontada no meu site do deviantart: http://petrasoul.deviantart.com/art/cami
Helena Castro Martins
Pode parecer cliché escrever e meditar sobre a liberdade nesta data tão importante. O certo é que depois do 25 de Abril muita coisa mudou, como a história nos pode contar - não só a história mas também os nossos antepassados relatam episódios do seu tempo, com aquele brilho da experiência mas também com a pretensão de mencionar que “no meu tempo é que era”; confesso que gosto de ouvir o relato oral desses episódios dos meus antepassados, de gente antiga com uma perspectiva da vida distinta da minha (relatos não só referenciados a esta dia, mas também relatos de episódios das suas experiências – delicioso).
Nesses tempos, a censura assombrava, por assim dizer, o território nacional e não havia liberdade de expressão; havia imenso controlo na sociedade, nas suas acções, nos seus discursos, nos seus gestos, nos seus gostos, no seu pensamento. O Estado Novo dominou (quase) completamente o povo desta terra.
Surge a revolução de Abril (como devem reparar estou a acelerar este relato histórico), e começa-se a especular sobre a liberdade; “começa-se a exercer a liberdade e começa o declínio da sociedade”- relato dos antepassados. E afirmam isto com aquele brilho, e o tal preciosismo do seu tempo. Não censuro isso, porque um relato de uma perspectiva da vida, mesmo que seja partilhada por muitas pessoas, não deixa de ser uma perspectiva. O certo é que hoje há oferta que antes não havia, serviços que não existiam, discursos que são recuperados, arte que é recuperada e investigações recomeçadas.
Mas, continua-se a falar de liberdade; continua-se a falar dos seus prós e contras; continua a haver, de um certo modo, controlo e censura em coisas muito importantes como a identidade. Quantos de nós somos censurados e criticados (más criticas, mal formuladas) por sermos o que somos? Quantos de nós ouvimos coisas sobre “nós” e mesmo sobre “eles”, e que não passam de observações e criticas que não têm “ponta por onde lhe pegar”? Quantos de nós não ouve essas observações, e apercebe-se que são fruto dos pré-conceitos que sistematizam tanto a crítica e o discurso como o próprio pensamento, estreitando, assim, o horizonte e alargamento de compreensão?
Costuma-se dizer que “a liberdade de um começa onde a de outro acaba”; talvez seja mesmo assim, mas gosto de pensar que não tem de ser assim. A liberdade de um não tem de terminar com a liberdade do outro. É por isso que o Homem teve a necessidade de criar um Estado de Direito que permitisse a criação de normas e leis que controlassem a própria acção humana. Mas mesmo que não existissem estas normas e leis, conseguem conceber o Homem assim? Um Homem natural, por assim dizer? Não fica a sensação que andaríamos à deriva, “ao deus dará”? Será que realmente necessitamos de nos normalizar?
Já dizia o outro que o Homem é um animal político, um animal que se dá em sociedade. Depois veio outro que vai para a montanha meditar e aprender a “ser”; e depois, qual “cristo”, vai pregar para o meio dos Homens; diz o que é a vida, e como ela se tornou decadente – “Despertai! Ó Humanidade! – assim falava Zaratustra”.
Fica a meditação e as questões em aberto.
Victor Hugo

No último FantasPorto esteve em exibição um filme maravilhoso, do realizador Veit Helmer, chamado “Absurdistan”. Absurdistan é um termo, por vezes utilizado para descrever satiricamente um país, onde o comum é o absurdo, especialmente no que concerne à forma de agir das autoridades públicas e políticas. Esta expressão foi primeiramente usada pelos dissidentes, para se referirem à união Soviética. Tudo indica que este termo começou a ser usado durante a perestroika.

A história do filme é hilariante, com efeito visual aliciante, e que na minha opinião capaz de prender o espectador a cada momento. Atrevo-me a dizer que a composição do filme parece uma fusão de Federico Fellini, Stanley Kubrick e Emir Kusturica.

Não se trata apenas de uma simples comédia doméstica, mas sim de um verdadeiro conflito entre sexos, criando tensão na aldeia, e tornando esta numa verdadeira zona de guerra. Um filme cheio de charme e delicadeza, uma alusão ao realismo mágico do amor, e da maneira como o homem e a mulher tentam entender-se um ao outro.

HISTÓRIA
Numa aldeia isolada, algures entre a Europa e a Ásia, num tempo entre ontem e hoje. A aldeia padece desde sempre da falta de água, havendo por causa desta uma verdadeira luta entre as mulheres para a obterem. A aldeia é habitada por dez famílias, fazendo parte destas Aya e Temelko,que sempre foram inseparáveis desde a infância. Quando atingem a adolescência, ambos já só desejam que chegue, finalmente, a sua primeira noite de amor.
De acordo com as velhas tradições, esta será determinada com a ajuda das estrelas e iniciar-se-á com um banho ritual comum. Porém, pouco antes de chegar o dia ansiosamente esperado, a fonte seca misteriosamente!
Perante a indiferença dos homens, que nada fazem para reparar o dano, as aldeãs decidem avançar para métodos drásticos: expulsam os homens das suas camas, dividem a aldeia com uma vedação destinada a separar o mundo masculino do feminino e entram em greve: sem água não há sexo!
Aya, naturalmente, solidariza-se com a causa das mulheres. Na tentativa de salvar o seu amor, e para poder consumar a primeira noite sob os bons auspícios da favorável constelação estelar, Temelko tudo irá fazer para que a água volte a brotar da fonte. Para isso irá ter que recorrer a métodos bem pouco ortodoxos.
Um filme genial, que aconselho a assistir.
Helena Castro Martins
Peter Callesen é um escultor que trabalha com papel. Tem trabalhos fantásticos, que merecem ser apreciados:





Helena Castro Martins
Escultura de Cadeiras " Black Whole Conference" , feita com 72 cadeiras, da autoria de Michel de Broin em 2006 e fez parte do Québec Triennial "Nothing is Lost, Nothing is Created, Everything is Transformed" em exibição no Musée d’Art em Montreal.

Em 2007 o artista coreano Jean Shin criou a "Sound Wave", com discos de vinyl derretidos.

Em 2007 Damián Ortega criou a escultura " Controller of the Universe ", que consiste em facas e ferramentas suspensas.

A escultura " On Gold Mountain" é uma vista panorâmica de São Francisco feita com panelas e taças de inox , criada pelo artista Zhan Wang. Encontra-se no
Asian Art Museum em San Francisco.

A artista Helena Bangert criou a escultura de areia de "Pinhead", uma personagem do filme Hellraiser, em 2004 na Bélgica.

Helena Castro Martins


Helena Castro Martins

Ouvi pela primeira vez uma música do grupo sueco de Hard Rock progressivo, Shiva, quando o Victor me enviou uma música chamada " Chameleon". Fez-me despertar curiosidade em conhecer mais da sua obra.
Quando ouvi o álbum "The Curse of the Gift" fiquei verdadeiramente apaixonada pelo grupo. Fiquei tão extasiada , que resolvi fazer um vídeo da primeira música que ouvi, Chameleon. O álbum é soberbo, tendo também a música "Kill The Past", merecer toda a minha atenção.
A vocalista Anette Johansson tem uma voz muito peculiar e intensa. É um grupo que adoraria ver ao vivo. Espero que um dia seja possível.
Se quiserem ver o vídeo que fiz para a música Chameleon, é só irem a :
http://www.youtube.com/user/hmcm1981

SEASON of mists and mellow fruitfulness!
Close bosom-friend of the maturing sun;
Conspiring with him how to load and bless
With fruit the vines that round the thatch-eaves run;
To bend with apples the moss'd cottage-trees,
And fill all fruit with ripeness to the core;
To swell the gourd, and plump the hazel shells
With a sweet kernel; to set budding more,
And still more, later flowers for the bees,
Until they think warm days will never cease,
For Summer has o'er-brimm'd their clammy cells.
Who hath not seen thee oft amid thy store?
Sometimes whoever seeks abroad may find
Thee sitting careless on a granary floor,
Thy hair soft-lifted by the winnowing wind;
Or on a half-reap'd furrow sound asleep,
Drowsed with the fume of poppies, while thy hook
Spares the next swath and all its twinèd flowers;
And sometimes like a gleaner thou dost keep
Steady thy laden head across a brook; 20
Or by a cider-press, with patient look,
Thou watchest the last oozings hours by hours.
Where are the songs of Spring? Ay, where are they?
Think not of them, thou hast thy music too,—
While barrèd clouds bloom the soft-dying day,
And touch the stubble-plains with rosy hue;
Then in a wailful choir the small gnats mourn
Among the river sallows, borne aloft
Or sinking as the light wind lives or dies;
And full-grown lambs loud bleat from hilly bourn;
Hedge-crickets sing; and now with treble soft
The redbreast whistles from a garden-croft;
And gathering swallows twitter in the skies.
John Keats
Michael Cross com a obra "Bridge" , fez o deleite de muitos no London Design Festival do ano passado. A obra situava-se numa antiga igreja repleta de água. À medida que as pessoas se aproximavam da água, iam aparecendo pedras, para poderem circular pela água, criando assim um caminho para percorrer.
À medida que andavam, as pedras atrás iam desaparecendo, dando a sensação que as pessoas andavam em cima da água.
Parece-me fantástico.

Helena Castro Martins

Quero um mal de morte
A estas almas incertas.
Tortura-as a honra que vos fazem,
Pesam-lhes, dão-lhe vergonha os seus louvores.
Porque não vivo
Preso à sua trela,
Saúdam-me com um olhar agridoce.
Onde passa uma inveja sem esperança.
Ah! Porque não me amaldiçoam!
Porque não me viram francamente as costas!
Aqueles olhos suplicantes e extraviados
Hão-de enganar-se sempre a meu respeito.
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
Noh é uma forma clássica de teatro profissional japonês, que combina canto, pantomima, música e poesia. As actuais companhias de Noh estão localizadas em Tokyo, Osaka e Kyoto.

É uma das formas mais importantes do drama musical clássico japonês, executado desde o século XIV.
A narrativa foca o protagonista (shite), o único que usa uma máscara. Shite é um espírito errante que exprime, de forma lírica, a nostalgia dos tempos passados.

O coadjuvante (waki), geralmente um monge, não interfere no curso da acção, apenas revela ao público a essência do shite.
Um coro e quatro instrumentos acompanham o trama, que se soluciona através da dança. O coro possui uma função dramática decisiva, conduzindo a narrativa.

No Noh, a descrição de cada cena repousa unicamente no texto do canto, nos gestos e nos movimentos do actor. A combinação desses elementos obedece a regras corporais e musicais, resultando numa estética extremamente refinada, que gera dificuldade em compreendê-lo e apreciá-lo, sobretudo no que se refere ao libreto, escrito em linguagem arcaica e complexa, na codificação dos gestos e movimentos, e na linguagem musical característica, totalmente estranha aos ouvidos comuns.

Os movimentos sintéticos do actor, são quase imperceptíveis como, por exemplo, de uma maneira estilizada e subtil, levanta os olhos para a lua, ou num gesto com a mão retira a neve do kimono.
As peças Noh decorrem num palco despojado, feito de hinoki liso (cipreste japonês). O cenário é, constituído apenas pelo "kagami-ita," um pinheiro pintado, no fundo do palco, mesmo que a peça se desenrole noutros locais.
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Há várias explicações para o uso desta árvore, sendo a interpretação mais comum, a que se refere aos rituais xintoístas, em que os deuses descem à Terra por este meio. Outro adereço inconfundível é a ponte estreita (a "Hashigakari"), situada à esquerda, na qual os principais actores utilizam para entrada e saída das personagens.
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Por tradição os actores de Noh não ensaiam juntos, cada actor pratica os seus movimentos e canções sozinho ou com a orientação de um membro mais antigo. Entretanto, o ritmo de cada apresentação é determinado pela interacção de todos os actores, músicos e pelo coro.

Uma das peças mais famosas do repertório noh, é "Hagoromo - O Manto de Plumas", que tem uma "transcrição" para o português, feita pelo escritor Haroldo de Campos.
Helena Castro Martins
Melancólica... Obscura
Caspar David, é um dos meus pintores favoritos. Caspar David Friedrich foi um pintor, escultor romântico alemão, e grande paisagista. As suas obras primam pelo simbolismo e idealismo que transmite. As suas paisagens não são apenas belas, mas buscam expressar os sentimentos da contemplação da Natureza.
Apesar de nunca ter visto nenhum dos seus quadros a " vivo e a cores", o facto de as poder ver nem que seja em livros, ou num ecrã, conforta-me um pouco a alma. O meu quadro preferido deste autor chama-se " Woman im morning ligth". Para mim, um quadro muito intenso, em que as cores do horizonte se fundem com a mulher, como se esta tivesse em plena levitação.
Além deste, tem muitos outros marcantes, que podem fazer a nossa delícia:
Monastery Graveyard in the Snow, 1817

Eldena Ruin (1825)

The Abbey in the Oakwood (1808–10).

Helena Castro Martins

The wild winds weep
And the night is a-cold;
Come hither, Sleep,
And my griefs infold:
But lo! the morning peeps
Over the eastern steeps,
And the rustling birds of dawn
The earth do scorn.
Lo! to the vault
Of paved heaven,
With sorrow fraught
My notes are driven:
They strike the ear of night,
Make weep the eyes of day;
They make mad the roaring winds,
And with tempests play.
Like a fiend in a cloud,
With howling woe,
After night I do crowd,
And with night will go;
I turn my back to the east,
From whence comforts have increas'd;
For light doth seize my brain
With frantic pain.
William Blake
Durante as minhas "digressões" pela internet, encontrei um site All posters (http://www.allposters.com).
Posters que adquiri,que para mim têm significado, não só pela imagem, mas pelo que me lembram,e que me transportam pelo tempo...





Helena Castro Martins

Na minha opinião Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal", traduz a verdadeira paixão pela música. O sincero despertar dos sentimentos e a lança da angústia enraivecida. Sem a música, a vida seria um erro.
"A música p'ra mim tem seduções de oceano!
Quantas vezes procuro navegar,
Sobre um dorso brumoso, a vela a todo o pano,
Minha pálida estrela a demandar!
O peito saliente, os pulmões distendidos
Como o rijo velame d'um navio,
Intento desvendar os reinos escondidos
Sob o manto da noite escuro e frio;
Sinto vibrar em mim todas as comoções
D'um navio que sulca o vasto mar;
Chuvas temporais, ciclones, convulsões
Conseguem a minh'alma acalentar.
— Mas quando reina a paz, quando a bonança impera,
Que desespero horrível me exaspera!"
Helena Castro Martins
CAMEL é uma das bandas que me deixa sem palavras e catatónico. E mais nem digo...
Já Nietzsche dizia, e muito bem, que a música faz-nos perceber sentimentos que nunca antes conheciamos. Talvez assim, a realidade tal como a transformámos seja suportável.
...
Enfrento o abismo, e desfolho metáforas para a existência.
Victor Hugo

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.
Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos para sempre.
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.
Carlos Drummond de Andrade

Sempre me fascinou a mitologia. Tudo o que esteja relacionado com deuses, ou figuras mitológicas encanta-me, e chama a minha atenção. Sempre que posso tento saber mais sobre esta temática. Ultimamente tenho-me interessado pela mitologia hindu. Escolhi para hoje, relatar um pouco sobre a deusa hindus Saravastî ("Aquela que flui”).
Nos tempos védicos, o Sarasvatî era o rio mais poderoso e, às suas margens, formou-se o centro da civilização Indo-Sarasvati. Esse rio secou por volta de 1900 a.C., fazendo com que os povos védicos mudassem em massa para os vales férteis do Rio Ganges (Gangâ).
Com o mesmo nome do rio, a deusa Sarasvatî presidia o discurso, o cultivar da mente e as belas-artes, como é sugerido pelos seus símbolos iconográficos tradicionais, que incluem um alaúde, um livro e um rosário.
Helena Castro Martins



"Os livros estão sempre sós. Como nós. Sofrem o terrível impacto do presente. Como nós. Têm o dom de consolar, divertir, ferir, queimar. Como nós. Calam a sua fúria com a sua farsa. Como nós. Têm fachadas lisas ou não. Como nós. Formosas, delirantes, horrorosas. Como nós. Estão ali sendo entretanto. Como nós. No limiar do esquecimento. Como nós. Cheios de submissão ao serviço do impossível. Como nós. "
Texto de Ana Hatherly, in 'Tisanas'
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Sempre que tenho oportunidade compro incenso, se possível indiano, visto serem os de minha preferência.
Os indianos utilizam o incenso como forma de purificação. Estanto relacionado ao elemento ar, representa a percepção da consciência que (no ar) está presente em toda parte.
Num livro sobre fragâncias, encontrei alguns perfumes de incenso e seus significados, atribuídos pelos indianos:
Amor : Almíscar, Jasmim, Maça, Rosa, Lótus, Ópium, Sândalo, Patchoulli
Limpeza : Alecrim, Arruda, Eucalipto, Canela, Cravo
Espiritualidade :Mirra, Violeta, Rosa
Meditação: Violeta, Mirra, Rosa, Verbana
Acalmar: Alecrim, Alfazema, Flor de Maça, Jasmim
Estudos: Alfazema, lótus, Jasmim, Rosa
Energizar : Canela, Eucalípto, Cravo
Helena Castro Martins

Hoje num surto de inspiração, juntei algumas imagens de alguns dos filmes que muito significado tiveram e têm para mim:

- Requiem for a Dream, do realizador Darren Aronofsky;
- Goodfather, de autoria de Mario puzo, e realizado por Francis Ford Coppola;
- Taxi Driver, realizado por Martin Scorsese;
- One Flew Over the Cuckoo's Nest , realizado por Milos Forman;
- Psycho, realizado por Alfred Hitchcock;
-The Seventh Seal, realizado por Ingmar Bergman;
-City Lights, realizado por Charles Chaplin;
Helena Castro Martins

A vaguear pela internet encontrei um site de uma pintora nova iorquina, Lori Early, que na minha opinião merece atenção.
Os quadros são pintados a óleo e emoldurados a preto. Acho o trabalho dela muito forte, audaz, dramático e misterioso. Usa exclusivamente a imagem feminina, realçando o olhar de uma maneira impressionante.
Certamente teria uma melhor percepção, se pudesse vê-los bem de perto, e não num monitor. Talvez um dia…
Endereço do site: http://www.loriearley.com
A insatisfação faz de nós - o Homem – entidades que procuram sempre o consolo de algo que os sustente juntamente com algo que os satisfaça. A satisfação do desejo, do querer, é um copo de água com a base furada. O “ir”, o avanço, é um passo certeiro. O nosso querer faz o método, faz as regras e as leis... porque o querer, o desejo, é instintivo; logo, é selvagem e louco, cuja base é inteiramente irracional. Calcetamos um chão metafísico, para que nele ergamos os pilares que sustentam a existência do Homem. Desde a metafísica que sofremos a transformação existencial, e de espíritos dispersos passámos a ser espíritos treinados, educados, encaminhados, sustentados não pelo visível, mas pelo invisível! Porque é no invisível que o até então nomeado Homem encontra o seu horizonte. Esse horizonte, salpicado por pitadas de desejo, é uma ficção, uma paranóia camuflada de razão e norma. Onde cabe o irracional? O que é isso de irracional? Este pode ser definido em contraste com o racional, mas essa definição leva-nos a colocar o irracional no campo da racionalidade, porque ao estarmos a definir já estamos a identificar algo, a usar premissas e argumentos para algo que não tem premissas. Mas contudo tem uma identidade. A identidade do irracional foi esquecida; está presa nos pilares metafísicos que suportam a vida humana. Não sabemos ao certo o que é... nem sabemos como a evocar - talvez em parte seja possível narcotizar o espírito, e nesses estados rápidos, fugazes, consigamo-nos lembrar e sentir o êxtase e prazer da liberdade.
Victor Hugo
Ouvi pelo primeira vez a música" The Forest Whisper my Name" com 13 anos. A música dos Cradle foi-me apresentada pelo meu irmão, e desde aí partilhamos um verdadeiro encanto pelo album da qual esta música faz parte,"The Principle of Evil Made Flesh" .
Na minha opinião, é um album que apesar da sonoridade crua, estimula o perverso que existe em nós.

"Black candles dance to an overture
but I am drawn past their flickering lure
to the breathing forest that surrounds the room
where the vigilant trees push out of the womb
I sip the blood-red wine
my thoughts weigh heavy with the burden of time
from knowledge drunk from the fountain of life
from Chaos born out of love and the scythe
the forest beckons with her nocturnal call
to pull me close amid the baying of wolves
where the bindings of christ are down-trodden with scorn
in the dark, odiferous earth
We embrace like two lovers at death
a monument to the trapping of breath
as restriction is bled from the veins of my neck
to drop roses on my marbled breast
I lust for the wind and the flurry of leaves
and the perfume of flesh on the murderous breeze
to learn from the dark and the voices between
This is my will...
The forest whispers my name...again and again
I walk the path
to the land of the Dark Immortals
Where the hungry ones will carry my soul
as the wild hunt careers through the boughs
Come to me, my Pale Enchantress
In the moon of the woods we kiss
Artemis be near me
in the arms of the ancient oak
where daylight hangs by a lunar noose
and the horned, hidden one is re-invoked
The principle of Evil
evolution has been recalled
Beneath the spread of a Magickal Aeon
I stand enthralled
...In the whispering forest
"Pale, beyond porch and portal,
crowned with leaves, she stands,
who gathers all things mortal,
with cold immortal hands,
her languid lips are sweeter,
than love's who fears to greet her,
to men that mix and meet her,
from many times and lands."
Helena
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