“Dune” (1965)
Frank Herbert
Foi com grande expectativa que iniciei a leitura desta grande obra, “Dune”, de um dos mestres da ficção-ciêntifica do mundo, Frank Herbert. Depois de ter lido outros livros deste escritor, como a série “Pandora Sequence” que integra várias obras, “rezei muito” para que “Dune” chegasse às lojas, já que o feedback da obra é muito e deixa no ar a irresistibilidade da leitura.
Quem não conhece nada desta obra, para quem não viu o clássico realizado por David Lynch, então está numa posição privilegiada porque a viagem proporcionada pela leitura será ainda mais grandiosa. Para eles, e para os outros, esperem uma narrativa seguramente entusiasmante (não vou adiantar-me com resumos da obra), onde encontrarão confrontos (físicos e intelectuais) em locais impossíveis para o entendimento humano, como é o caso do planeta Dune – um deserto imenso que à primeira vista parece ser incompatível para a vida. Contudo, o problema não é a vida mas antes a adequação ao local; o problema não é a água, mas a humidade (uma passagem do livro que me encantou pela sua frontalidade, terror e lucidez, e que bem pode ser um problema contemporâneo se por acaso repararmos no estado como está o nosso planeta); o problema é muito mais que a sobrevivência e a luta territorial face ao Império, é uma luta intelectual, mental, de lucidez, de perspectivas, de consciências.
É óbvio que recomendo esta obra, grande e muito completa (com apêndices alusivos à religião e filosofia dos Fremen e Bene Gesserit, mas também sobre a ecologia de Dune, sem esquecer um completo glossário bastante útil, cuja consulta é obrigatória à medida que a leitura avança), com uma história intrigante e cativante. Esperemos que a editora Saída de Emergência se lembre de publicar as devidas continuações.
Edição: Colecção Bang! / Saída de Emergência, 2010
Victor Hugo
Com as influências do amigo, Lorde Henry, Dorian torna-se egoísta, devasso e mau. No entanto, o seu rosto continua com o traço angelical dos seus 18 anos. Através da personagem de Lorde Henry percebemos como Oscar Wilde via a vida, chegando o autor declarar no seu prefácio que "O Vício e virtude representam para o artista a matéria prima da sua arte".
Os diálogos, pensamentos e sentimentos das personagens são longos e profundos. Quando Dorian descobre que o seu desejo foi atentido, apercebe-se que o seu retrato está a transformar-se , dando ao livro mais acção. A descoberta das mudanças no quadro é um momento sublime. Só ao ver o retrato , é que Dorian se apercebe de tudo o que fez na vida. O questionar é longo, e Oscar Wilde descreve os traços psicológicos de Dorian de forma muito elaborada: os seus conflitos, desejos e a sua visão de mundo.
É um livro que nos faz pensar sobre a juventude, o valor da beleza na sociedade, a vaidade e o carácter das pessoas. O final não vou contar, têm que ser o leitor a lê.lo , para entender a genialidade e intensidade de Oscar Wilde.
Helena Martins





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“Solar Lottery”
1955
Philip K. Dick
Ano 2203.
Imaginem o nosso mundo sem os sistemas social, político e económico tal e qual como os conhecemos. Imaginem que os níveis de confiança na sociedade em relação aos sistemas descem até ao ponto de ruptura. Tanto a sociedade como a economia e a política desmoronam-se, e os Governos sentem a obrigação, ou a necessidade, de criarem um novo sistema base alternativo à velha ordem social.
Minimax é um sistema onde predomina a ideia de aleatoriedade e sorte, em vez de certeza e predefinição. Com base nos jogos de azar, o Minimax promove uma lotaria que abrange todo o sistema solar; lotaria esta que tem como objectivo dar oportunidade a qualquer pessoa de se tornar o Interrogador-Chefe – o estatuto mais alto da sociedade com poderes legislativos. Contudo, o vencido terá a oportunidade de convencer o novo Interrogador-Chefe a abandonar o posto; e nesta missão, não há grandes regras ao ponto de ser permitido o assassínio. Mas para dificultar essa missão, o Interrogador-Chefe tem do seu lado um grupo de telepáticos, ou seja, com o poder de ler a mente de qualquer pessoa numa determinada distância. Conseguirá o assassino desviar-se deste poderoso grupo?
“Solar Lottery” é uma narrativa que explora a possibilidade de uma outra sociedade, com regras distintas e horizontes de entendimento bastante diferentes do que estamos habituados. A certeza é uma miragem, e neste sistema está em jogo a sorte ou o azar. Conseguem imaginar uma vida nestes pilares? Conseguem conceber uma sociedade que é controlada por telepáticos, com a capacidade de desvendar qualquer plano perverso?
Um livro interessante, como o Philip K. Dick já nos habituou.
Victor Hugo
Gárgula - Elemento arquitectónico que tem por função escoar as águas pluviais das coberturas dos edifícios, impedindo-as de escorrer ao longo das paredes exteriores.
O termo gárgula deriva da palavra francesa gargouille (garganta) que vem do latim gurgulio, gulia e a palavra terá nascido do som feito pela água a correr.
Ligada à origem da palavra, existe a Lenda de La Gargouille. Esta história popular medieval dizia que, no século VII, vivia na região de Paris, numa gruta próxima do Rio Sena, um dragão apelidado La Gargouille, com o hábito de sair do seu covil para engolir barcos e pessoas.
Os aldeões locais viviam aterrorizados e todos os anos sacrificavam uma vítima ao dragão, numa tentativa de o apaziguar.
O povo acabaria por ser salvo por um padre, que prometeu derrotar o dragão se aí fosse erguida uma igreja e se todos os habitantes concordassem em ser baptizados.
Após um combate decisivo o dragão foi derrotado e o padre arrastou o corpo do monstro para a aldeia, onde lhe lançou fogo.
Porém, a cabeça e pescoço do dragão não arderam, pelo que acabaram por ser colocados numa parede da igreja.
Helena Castro Martins
18 de Junho de 2010.
Sexta-Feira. Acordei carregado de fadiga e não me apetecia ir para o trabalho. Só apetecia alapar o corpo no sofá e ler num ritmo lento. Mas tive mesmo de ir; até que já cheirava a fim-de-semana. E que fim-de-semana! Estava no trabalho aborrecido, mas também ansioso para sair de lá e meter-me estrada fora a caminho de Espinho. Oito horas passaram. Dirigi-me a casa para o banho e merecido jantar ao som da Antena 2, e passei pela casa do Manu. Depois de um café no Telheiro, posemo-nos a caminho de Espinho.
O nosso objectivo primeiro era estar com a nossa amiga Lila, que nos convidou para irmos lá naquela noite assistir a um concerto da novíssima banda de covers BRAND NEW RUST, cujo baixista é o Albano, homem da Lila. Tanto eu, como o Manu, como a Lila e como a Ana (amiga e colega de trabalho da Lila) não sabíamos o que esperar da estreia dos BRAND NEW RUST, no Doo Bop Bar (creio que nem mesmo a banda sabia o que esperar da actuação e da reacção do público) – mesmo na praia, a sentir as ondas e a lua a mergulhar no seu quarto crescente. Todo o ambiente era prometedor, e ainda por cima o bar estava cheio. Mesmo muito cheio!
Pouco passava da meia-noite quando nos dirigimos para a primeira fila do público que estava a assistir, já ao som de “Hey Hey My My (Into The Black), de Neil Young! Pouco tardou para o meu corpo reagir à música. Observo todo o público e reparo na total entrega à banda e à música rock.
Logo a seguir a banda brinda-nos com uma dos Rolling Stones. E se o objectivo era incendiar o público, então eles conseguiram porque este estava com uma energia inesgotável. Outro momento alto da noite foi a “Message In The Bottle”, dos The Police, que mereceu a totalidade da voz do grupo. No intervalo deu para comentar as impressões da primeira parte, e a satisfação esteve a 100% e a desejar muito mais. Especial destaque ao vocalista Miguel Gomes que se nos ensaios mostrava-se “reservado” fazendo o seu papel de vocalista, na sua estreia ao vivo mostrou-se um genial “frontman” da banda com uma capacidade extraordinária para incendiar plateias com a sua energia contagiante.
Já na segunda parte, que abriu com a “Fortunate Son”, dos Creedence Clearwater Revival, a energia manteve em alta e voou ainda mais alto do que na primeira parte. The Doors teve o seu destaque com a “Soul Kitchen”, dando passagem a “Hey Joe”, de Jimi Hendrix. Para terminar, finalmente deram lugar ao tão pedido “hit” dos Whitesnake, desta feita com a “Fool For Your Loving”. E de facto, o Bar ficou muita mais cheio com o som mais pesado do Hard Rock. Um excelente momento (embora ainda esperasse por uma dos Led Zeppelin, e algum público até pediu Manowar).
Mas o espectáculo apenas terminou com um encore: e atrevo-me a dizer que foi o momento mais alto da noite. Fechou como abriu – com Neil Young e “Keep On Rocking In A Free World”. A energia foi tanta, que eu próprio puxei ainda mais pelo povo. A energia foi mesmo tanta, que o vocalista lembrou-se de fazer “stage diving” (correu bem e ninguém se magoou).
Por fim ficou o desejo de muito mais: nem que fosse mais do mesmo. Todos os músicos estiveram muito bem para uma estreia. Há que repetir – não igual ou ideal, mas com a atitude positiva e energética que os Brand New Rust conseguiram projectar.
LONG LIVE ROCK AND ROLL
Victor Hugo


Eternal Tears of Sorrow é daquelas bandas que frequentemente ouço com nostalgia. Esta banda finlandesa de melodic death metal , com elementos de symphonic metal, entrou na minha vida com o álbum Vilda Mánnu de 1998.
A partir desse momento não mais me esquecerei da música Nightwind's Lullaby, e da voz de Altti Veteläinen, com uma rouca, louca e sublime melodia, que juntamente com Heli Luokkala, e o seu tom doce, tornam esta música um arrepio de boas sensações e recordações.
Uma banda para não esquecer...
Full-length albums
• Sinner's Serenade (1997)

• Vilda Mánnu (1998)

• Chaotic Beauty (2000)

• A Virgin and a Whore (2001)

• Before the Bleeding Sun (2006)

• Children of the Dark Waters (2009)

Helena Castro Martins

Natalie Shau mora na Lituânia, especializada na manipulação de fotografias, desenhos 3D e pintura digital, utilizando principalmente o Photoshop. As ilustrações são cheias de encanto e magia revelando o seu estilo gótico-dark, com fadas e bonecas vivendo num mundo de imaginação.
http://natalieshau.carbonmade.com/
Helena

É quase impossível nunca ter ouvido falar da Trilogia Millennium do escritor sueco Stieg Larsson’s. O filme THE GIRL WITH THE DRAGON TATTOO, é baseado na sua primeira obra da trilogia. Com uma intriga forte, cativante e cheia de suspense, envolve-nos no mundo contemporâneo da corrupção e do crime, da qual ninguém vai sair ileso.
Sinopse:
Há quarenta anos, Harrier Vanger desapareceu numa ilha isolada propriedade da poderosa família Vanger. Não há cadáver, nem testemunhas e evidências. Mas o seu tio, Henrik, está certo de que ela foi assassinada por alguém da família. O desacreditado jornalista Mikael Blomqvist é então contratado para investigar, com a ajuda da sua nova assistente, uma hacker de computadores chamada Lisbeth Salander. Juntos, mergulham no passado sinistro da ilha e dessa família. Um filme aliciante, intenso e dazzling.
As interpretações de Michael Nyqvist como Mikael Blomkvist e Noomi Rapace como Lisbeth Salander são verdadeiramente avassaladoras, apesar de ter que enaltecer ainda mais a representação de Naomi Rapace, em que não há palavras!
Helena

Nita Naldi foi uma actriz americana de cinema mudo. Uma das actrizes de maior sucesso em Hollywood durante os anos 20, sendo sempre chamada para fazer a "femme fatale"/"vamp", título popularizado pela actriz Theda Bara.
Nita começou a sua carreira profissional nas Ziegfeld Follies. Foi descoberta em 1919 pelo actor John Barrymore, e logo revolucionou Hollywood. Com o seu estilo exótico, imediatamente foi para a Paramount.
Fez o seu primeiro filme em 1920 "Dr. Jekyll and Mr. Hyde". Fez ao lado do ídolo italiano Rudolph Valentino, em 1922, o enorme sucesso "Blood and Sand". A química foi tão boa que fizeram mais dois filmes: em 1924 "A Sainted Devil" e "Cobra" de 1925.
No topo de sua carreira, Naldi apareceu no épico de 1923, "The Ten Commandments". Também fez um filme com o lendário Alfred Hitchcock em 1926, "The Mountain Eagle".
Como tantos outros astros do cinema mudo, com o advento do cinema falado, encerrou a sua carreira. No final dos anos 20, com a América a entrar na Grande Depressão, a sua imagem de vamp parecia 'demodé' para o cinema americano. Nita reformou-se e casou com Searle Barclay em 1929, o casal continuou casado até a morte dele em 1945. Naldi nunca mais se casou ou teve filhos.
Pelar sua contribuição ao cinema, Nita Naldi foi honrada com uma Estrela na Calçada da Fama em Hollywood.
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